Crise política afeta entrada de recursos
Segundo análise de coordenadores de campanha de dois candidatos a prefeito de Londrina, a atual crise política dificultou a arrecadação de doações junto a empresários locais. O coordenador do candidato Cheida (PMDB), Antônio Caetano de Paula Júnior, calcula que o comitê contava com R$ 150 mil a mais em recursos de doação. Já o coordenador do pepista Marcelo Belinati, Fernando Nicolau, reconhece que ''de maneira geral tem sido difícil buscar recursos'', tanto que o candidato recebeu mais de 90% de doações do próprio comitê e do partido estadual e nacional.
''A atual crise política de Londrina gerou uma resistência e um desconforto geral entre os empresários, diminuindo o índice de doações. Contávamos com R$ 150 mil a mais, mas não foi possível arrecadar, por isso estamos focando nos materiais mais importantes de campanha'', explicou Caetano. Segundo a avaliação do coordenador do PMDB, os recentes acontecimentos políticos de Londrina - cassação de Barbosa Neto (PDT) por irregularidades no contrato da Centronic e confissão do prefeito licenciado José Joaquim Ribeiro (sem partido) de ter recebido propina para facilitar o contrato da G8 com a prefeitura - afastam possíveis empresários doadores.
Fernando Nicolau acredita que também existe o fator da ''crise financeira'', mas admite interferência da crise política. ''A arrecadação está complicada, tanto que tivemos poucas doações diretas ao candidato Marcelo. A campanha fica dificultada financeiramente, por isso estamos economizando bastante''.
Análise
Para o professor de filosofia política, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci, a atual crise realmente atrapalha a arrecadação dos candidatos. ''Nós estamos indo para quase vinte anos de administrações que se envolveram em algum tipo de escândalo político, e é natural que isso tenha criado uma resistência dos empresários'', explicou. O professor acredita que há empresários que não querem ter seus nomes ligados a candidatos por temerem uma gestão problemática.
Segundo Cenci, a opção pela ''doação oculta'' também pode significar uma tentativa de proteção, quando as empresas já têm intenção em firmar contrato com as administrações. ''Hoje os contratos são muito mais fiscalizados pelo Ministério Público, e o controle social é muito maior. Por isso aquele empresário que já pretende ser contratado pelo município, com as listas abertas de doadores de campanha, terão seus eventuais contratos muito mais fiscalizados. Muitos fogem por temerem esse futuro controle social'', disse. (P.B.O.)





