Crise pode antecipar definição do PMDB
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terça-feira, 04 de novembro de 1997
Agência Estado 
Brasília
Arquivo FolhaAo ataqueRequião, o mais próximo de Paes de Andrade: O PMDB deve apoiar o Brasil e não o presidenteA crise das bolsas levou o PMDB a acelerar sua definição sobre o governo. Ao defender um amplo apoio ao Planalto no momento de maior crise do real, o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) indicou uma reaproximação com Fernando Henrique Cardoso. O também presidenciável Itamar Franco - que briga pela paternidade do real - protege-se do tiroteio em sua embaixada em Washington. O retrato do candidato do PMDB à sucessão presidencial, se vencer a ala que defende um nome próprio, é hoje o do senador Roberto Requião (PMDB-RP).
Requião manteve-se na resistência à política econômica do governo e é hoje o pré-candidato do PMDB que mais se aproxima do discurso do presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE), principal defensor da candidatura própria do PMDB às eleições presidenciais. Enquanto tenta ampliar seu espaço dentro do partido, o senador aguarda para hoje a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que examina, em sessão plenária, a decisão da Justiça Eleitoral paranaense de cassar seu mandato e torná-lo inelegível, por suspeita de abuso do poder econômico.
Embora não admita, Paes de Andrade demonstra estar magoado com os amigos Sarney e Itamar, com os quais conversou por telefone no fim de semana, enquanto eles se encontravam em Washington. O PMDB deve apoiar o Brasil e não reformas contra o povo, cobrou ontem Paes. No Senado, Requião defendeu: O PMDB deve apoiar o Brasil e não o presidente da República. Os dois propõem que o PMDB exija do governo mudanças de rumo na política econômica. E garantiram que a reunião do Conselho Político do partido no dia 12, articulada pela ala peemedebista aliada ao governo à revelia do presidente, será esvaziada.
Paes de Andrade diz ter recebido, via Embratel, a garantia dos ex-presidentes José Sarney e Itamar Franco de que não comparecerão à reunião do conselho. Apesar de não ser membro do conselho, Requião também já anunciou que não irá.


