A crise na economia norte-americana trará dificuldades aos gestores que assumirem as prefeituras paranaenses a partir de janeiro de 2009. Paralelamente, como o orçamento do próximo ano chega pré-definido pelo antecessor, dificilmente as promessas de campanha serão cumpridas já no início de mandato. O prognóstico nada otimista é do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TC-PR), conselheiro Nestor Baptista, para falou à FOLHA em entrevista por telefone, ontem à tarde, a caminho de Londrina.
Baptista participa hoje de manhã do primeiro de uma série de quatro seminários destinados a prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos nas eleições do mês passado. Em Londrina, o evento, que acontece no cinema do shopping Com-Tour - prossegue amanhã em Maringá e tem sequência em Curitiba (21) e Foz do Iguaçu (25) - é promovido pela Escola de Gestão Pública do TC-PR e vai tratar de uma série de aspectos legais a serem considerados pelos futuros administradores púiblicos, sobretudo Lei Orgânica, Regimento Interno e trâmite de processos no TCE.
Na avaliação do presidente do Tribunal, além da legislação limitadora, das promessas de campanha e da viabilidade delas dentro de um orçamento desenhado ainda este ano, 2009 ''é um ano que se avizinha difícil''. ''Temos todo um horizonte nebuloso de crise internacional que, com certeza, vai afetar muitos setores da vida brasileira'', antevê. Como isso pode se manifestar na realidade prática das prefeituras? ''Há chances grandes de diminuição do consumo, com certeza da arrecadação, então os serviços acabam diminuindo, mas é preciso a máquina funcionando. As Prefeituras precisarão arrecadar para poder aplicar - até mesmo para cumprir as ditas promessas de campanha, que não são poucas e que dificilmente serão realizadas em 2009'', disse.
Questionado sobre qual o peso que salários pomposos de prefeitos e vices pode representar no agravamento de eventual cenário de crise, o conselheiro se mostrou surpreso com alguns números apresentados pela reportagem. No último domingo, a FOLHA publicou que em cidades da região de Londrina futuros chefes de Executivo vão ganhar mais até que os R$ 13,8 mil do presidente da República, graças a decisões das atuais Câmaras de Vereadores. É o caso de Sertanópolis, cidade de 15 mil habitantes onde o subsídio do prefeito passou de pouco mais de R$ 9,1 mil para R$ 18 mil, e Apucarana, onde os mais de 115 mil habitantes terão o prefeito ganhando, a partir de janeiro, não mais os atuais R$ 18 mil, mas R$ 20 mil.
''Alguns limites não podem ser ultrapassados, entre os quais, o da razoabilidade. Se uma Câmara aprova um aumento desses (caso de Sertanópolis), deve ter uma base da arrecadação, porque dobrar um salário na atual realidade brasileira não é nada fácil'', surpreendeu-se o presidente do TC. ''Mas terá de ser dada uma boa justificativa ao Tribunal para isso. Aliás, esses valores estão nos dando um alerta - vamos discutir isso em Londrina'', avisou.

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