France PresseEfeito ParaguaiFernando Henrique e o presidente da Bolívia Hugo Banzer: preocupação com a democraciaEm encontro de 15 minutos ontem com o presidente da Bolívia, Hugo Banzer, em Santa Cruz de la Sierra, o presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou preocupação com a crise política no Paraguai. ‘‘Já temos conseguido viver na democracia e estamos interessados em fortalecê-la’’, disse Banzer. ‘‘Nós lamentamos que isto esteja se sucedendo e estamos preocupados, é claro. Segundo Banzer, os dois presidentes não acertaram nenhuma ação conjunta para enfrentar o problema.
Assim como o Brasil, a Bolívia também assinou o Compromisso Democrático do Mercosul em 1996. De acordo com este entendimento, para os quatro países fundadores do mercado - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - e os dois membros associados - Bolívia e Chile - a manutenção do regime democrático é condição fundamental para a continuidade da cooperação entre os países. O risco do rompimento democrático no Paraguai já levou o presidente argentino, Carlos Menem, a defender sua expulsão do Mercosul se o problema não for sanado.
O presidente boliviano negou-se a dizer que posição seu país tomaria se a democracia for comprometida no Paraguai. ‘‘Esperamos que não haja o rompimento democrático’’, esquivou-se. ‘‘Os paraguaios são muito responsáveis e seguirão vivendo em democracia. O próprio Banzer, hoje presidente eleito, já governou a Bolívia sem mandato popular de 1971 a 1978.
O Brasil também não fala abertamente sobre uma possível expulsão do Paraguai. O porta-voz, Sergio Amaral, reafirmou o compromisso do Brasil com a democracia, mas não admite tratar da expulsão do Paraguai, por se tratar ainda de uma hipótese. No último dia 8, entretanto, quando recebeu em audiência no Planalto o candidato à presidência do Paraguai, Domingos Laino, pelo Partido do Encontro Nacional, Fernando Henrique disse que o rompimento do regime democrático é ‘‘inaceitável’’ para a continuidade da cooperação entre os países do Mercosul.
A crise política no Paraguai (leia sobre o assunto na pág. 9) é provocada pela decisão do general de reserva Lino Oviedo de se candidatar à presidência do país pelo partido Colorado. Oviedo está preso em uma prisão militar porque foi condenado, no último dia 10 de março, por tentar dar um golpe de Estado em abril de 1996. A sentença, proferida por um Tribunal Militar Extraordinário precisa ser confirmada ou negada pela Corte Suprema de Justiça do país. O atual presidente paraguaio, Juan Carlos Wasmosy, quer adiar as eleições e seus partidários defendem a revisão das regras eleitorais como forma de tentar barrar o favoritismo de Oviedo, de acordo com pesquisas eleitorais. (AE)

mockup