O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, acredita que haverá impacto eleitoral no Brasil decorrente dos ataques terroristas aos EUA. ''O candidato do governo levará vantagem'', imagina ele, porque o eleitor tenderá a buscar ''o bom senso, o equilíbrio e a pessoa capaz de liderar o País em processos de crise''.

Paulo Renato é o único ministro a assumir abertamente que deseja se candidatar à Presidência da República. Ministro da Educação desde o primeiro mandato de FHC, ele acredita que o País poderá atravessar bem a crise internacional que se avizinha, ainda que dela surja um mundo mais fechado.

''Sou candidato porque tenho a cara deste governo'', diz o ministro. Ele prevê que a população mais pobre do País experimentará, em 2002, ''uma sensação de conforto'' semelhante ''ou até maior'' do que a produzida nos dois primeiros anos do Plano Real, decorrentes das políticas de distribuição direta de renda do governo. Esse será o efeito, espera ele, de programas como o Bolsa-Escola, do seu ministério.

O ministro afirma que não aceitará acordos de cúpula no processo de escolha do candidato do PSDB e que manterá sua candidatura até que ocorra uma de duas coisas: FHC indicar outro nome ou o PSDB organizar um processo aberto de escolha do candidato, por meio de prévias ou da sua convenção nacional.

Paulo Renato admite, no entanto, que é cedo para indicar as consequências do episódio nos EUA: ''Qual é o mundo que vai emergir deste 11 de setembro? Este episódio terá apenas a dimensão material do que já foi visto e o mundo continuará sua trajetória de um mundo mais integrado? Ou dele emergirá uma sociedade mais fechada, menos integrada, menos globalizada? Em qualquer das circunstâncias, as nossa chances a médio prazo são boas. Estamos preparados para a globalização. Nós podemos olhar isso como uma janela de oportunidades'', aponta o minitro.

Para o ministro, a manutenção da aliança dos partidos com o Planalto é essencial para a eleição de 2002. ''O modelo precisa ter continuidade. É preciso mostrar à sociedade que o que se pretende é a continuação das transformações pela quais o País vem passando'', afirma.

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