A crise estrutural e política que atinge o Partido dos Trabalhadores (PT) em âmbito nacional tem rendido resultados positivos para o recém-legalizado Partido da Solidariedade (PSol), fundado justamente por dissidentes petistas. Segundo o presidente estadual da nova sigla, o servidor público federal Luiz Felipe Bergmann, a previsão é dobrar o número atual de 200 filiados. ''É uma coisa espantosa a intensidade da procura, especialmente de debandadas de Londrina, Maringá e do Sudoeste do Estado'', disse.
De acordo com Bergmann, auditor do Ministério do Trabalho em Curitiba e ex-filiado do PT durante 18 anos, o partido está se estruturando como um ''organismo ideológico''. Mesmo assim, ressalvou, as próximas eleições podem contar com chapa completa também para a Assembléia Legislativa e o Congresso, já que não está descartada a disputa pelo Governo do Estado e muito menos para a Presidência da República. Aqui, o nome mais cotado é o da senadora Heloísa Helena, fundadora e presidente nacional do PSol.
''Sabemos que se vive um momento de descrença no voto, e defendemos que apenas com trabalho, coerência e um estatuto de normas rígidas o panorama começará a ser mudado'', avaliou Bergmann.
Já em Londrina parece ser menor a mobilização da legenda pelo pleito de 2006, e mesmo por novas filiações. Segundo a presidente do grupo, a socióloga e professora do Cefet de Cornélio Procópio, Rosemary Batista de Oliveira, ''a preocupação em fortalecer um partido de massa'' dita o ritmo ao grupo local, composto por 25 pessoas entre sindicalistas, professores, universitários e operários. ''Depois de 2 de outubro faremos alguns convites de filiação e analisaremos alguns que recebemos de pessoas interessadas. Mas agora é o momento de agir com cautela, pois não somos uma sigla de aluguel'', definiu a socióloga. Na opinião dela, o desafio é resgatar uma forma desmitificada de socialismo, especialmente distante daquele que caracterizou durante décadas um defasado Leste europeu.
Ao mesmo tempo, garantiu a estudiosa, o grupo de Londrina vai se esforçar para não se dividir em tendências, como, afirma ela, parece estar acontecendo com o PSol nacionalmente. ''Militei pelo PT de 1982 até 2003, e lá pude ver que definitivamente não dá certo isso de ter tendências e impô-las, especialmente quando o que vale é a imposição pelo número de filiados que se consegue'', destacou.
Rosemary faz questão de ressaltar também a decepção com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como fator de migração a uma legenda que ainda nem disputou uma eleição. ''Desde que assumiu o poder, esse governo já sabia que lado seguir, independente da opinião da militância. Eu mesma me senti traída com algumas políticas adotadas, além de ter que receber cobranças por defesas que já fiz ao PT'', admitiu.
Na semana passada, o PSol foi o alvo de atenções quando da desfiliação de uma série de petistas históricos, contrários ao chamado Campo Majoritário, agora adeptos do partido de Heloísa Helena. Entre eles, estão o militante Plínio de Arruda Sampaio e os deputados federais paulistas Ivan Valente e Orlando Fantazzini. A saída dos dois parlamentares custou ao PT a perda do posto de maior bancada do Congresso para o PMDB, pela diferença de apenas um nome (88 a 87).

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