Crise no PT afeta frente de oposição
Leandro Donatti
A implosão da pré-candidatura do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida ao governo do Estado gerou um impasse no PT, que pode comprometer a participação da sigla na frente das oposições à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). Os pré-candidatos que se inscreveram para as prévias de abril que elegerá o candidato oficial - a socióloga Milena Martinez e o deputado federal Nedson Micheletti - são contrários à conduta adotada pelo comando estadual, de aproximação com PSDB e PPB, partidos adversários do PT na sucessão presidencial. E querem que o partido suspenda sua participação no cronograma de visitas montado pela frente e que estréia neste sábado, em Maringá.
Micheletti disse ontem que está excluída qualquer possibilidade de conversa. Vamos revisar tudo, disse o deputado, lembrando que só aceitou ser pré-candidato no lugar de Cheida diante de um compromisso da direção estadual neste sentido. Frente contra o Lerner não é plataforma política. Nada disso significa uma alternativa para as esquerdas, avalia o deputado. Micheletti diz ainda que o PMDB é uma opção a ser analisada, mas que apoiar uma candidatura do presidente da Telepar, Álvaro Dias, seria o mesmo que defender a reeleição de Lerner. A política continuaria a mesma, só mudaria o governador, reforça.
Milena Martinez, apoiada pelo grupo mais à esquerda do PT, não tem dúvidas da necessidade de recolocar o partido nos trilhos. Ela é contra a política indiscriminada de alianças, defendida até então. Diferente de Micheletti, a professora da Universidade Federal restringe ainda mais o leque de coligações. Para ela, apenas os setores do PMDB que não respaldam a recondução do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é que devem ser vistos como aliados em potencial. Precisamos partir da questão nacional para montarmos um discurso contra o neoliberalismo, prega.
O comando do PT sinaliza que não está disposto a ceder espaço aos argumentos dos pré-candidatos que querem o PSDB e PPB fora da frente. Pedro Tonelli e o vice, Jorge Samek, confirmaram que não vão frear os contatos. Uma coisa não implica a outra. Quem conversa é a direção, quem decide é a base, declarou Tonelli. Para Samek, as reivindicações procedem em parte. A chegada do PPB causou constrangimentos, com certeza. Mas o que precisamos entender é que para coligarmos com o PMDB, e termos um palanque forte para o Lula no Paraná, temos de aguentar o PSDB, observou.
A cúpula petista não reconhece o acordo político cobrado por Micheletti que, em aceitando ser pré-candidato, teria a garantia de que o PT estaria fora da frente enquanto tucanos e pepebistas estivessem no grupo. Não precisa nem a Milena, nem o Nedson nos dizer estas coisas. Nós vamos conversar até percebermos que temos espaço. Não vamos aceitar que o PPB e o PSDB ditem a composição da chapa majoritária, se a frente vir a se confirmar, diz Jorge Samek.
O discurso da direção petista não convenceu os pré-candidatos, mas serviu para tranquilizar os dirigentes dos outros partidos. Milton Buabssi, do PMDB, garante que o calendário de visitas continua firme. Segundo ele, as negociações em torno da aliança anti-Lerner estão sendo tratadas pelos partidos e não pelos pré-candidatos. Olivir Gabardo, do PSDB, considera natural a reação dos petistas. Até abril, muita água vai rolar. Essas brigas domésticas não interferem em nada, porque o que temos em comum é um plano alternativo contra o governo que hoje se instalou no Palácio Iguaçu, assinalou o tucano.





