Crise nas bolsas pode afetar reeleição
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
A crise mundial das bolsas de valores começa a alterar o ambiente eleitoral, até semana passada favorável à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e a seus aliados. Setores do PMDB e das esquerdas já prevêem um novo cenário para o confronto de outubro de 98, apostando em um quadro de instabilidade prejudicial ao Planalto. Antecipando-se à propaganda oposicionista, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), argumentou ontem, em Nova York, que a crise deve ser usada para fortalecer o governo e o processo de reformas.
Diante de um quadro de tamanha gravidade, vão querer entregar o País ao Lula ou ao Ciro Gomes? Nunca. Fernando Henrique é o melhor de todos e o que tem experiência para enfrentar as dificuldades, disse o senador. No Brasil, no entanto, os oposicionistas do PMDB previam um futuro de mais dificuldades ainda. A situação ficou tão ruim para o governo que é até desconfortável fazer discurso em cima de uma desgraça nacional, avaliou o presidente do partido, deputado Paes de Andrade.
Economistas do próprio governo fizeram, reservadamente, previsões sombrias que explicam o entusiasmo de setores da oposição. Um deles avaliou sérias dificuldades no processo de privatização, o que é péssimo para os governadores candidatos à reeleição. A alta nas taxas de juros, ditada pelo mercado no momento mais agudo da crise, afetará as compras a prazo e o consumo de bens duráveis impulsionado nesses primeiros anos de Real, o que potencialmente também pode desagradar ao eleitor.
O Palácio do Planalto procurou demonstrar controle da situação. Ninguém aqui neste momento está preocupado com o cenário da reeleição, disse o porta-voz Sergio Amaral. Nosso objetivo é que o Brasil seja o menos atingido possível por um movimento que é internacional e que o Brasil tem condições de enfrentar. O porta-voz confirmou a reunião do presidente Fernando Henrique com os líderes governistas na terça-feira, para acelerar a votação das reformas. As reformas são um passo importante e é preciso que elas sejam percebidas.
No Senado, o líder do PMDB, Jáder Barbalho, reagiu: Não sabia que o Congresso é o culpado pela queda das bolsas de Nova York e Hong Kong. Para ele, o presidente Fernando Henrique sabe há muito tempo que globalização tanto dá para rir quanto para chorar. A bancada petista ouviu uma explanação sombria da deputada Maria da Conceição Tavares (RJ), mas ela mesmo advertiu os colegas: Não vamos ser urubus da esquerda, pois se ocorrer uma catástrofe será ruim para todos nós.
Já o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) apostou que esta situação dramática vai favorecer a oposição, pois cria uma desconfiança no sistema sobre o qual o projeto do governo se sustenta.


