Eliane Azevedo
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A oposição brasileira pode ir enrolando as faixas de ‘‘Fora FHC’’ e esquecer palavras de ordem sobre desemprego e baixos salários que, certamente, seriam usados na campanha eleitoral de 2000. Segundo cientistas políticos, a baixa popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso e a insatisfação com a política econômica atestada pelas pesquisas de opinião não devem influir na escolha de prefeitos e vereadores.
‘‘Será uma eleição de síndico’’, compara o diretor-executivo do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. ‘‘Os prefeitos serão eleitos ou reeleitos de acordo com seu desempenho administrativo.’’ Ou seja, o eleitor deverá estar menos preocupado com as grandes questões nacionais e mais voltado para temas como coleta de lixo, hospitais, escolas municipais e problemas urbanísticos. ‘‘O eleitor evoluiu e sabe que o prefeito não tem poder para resolver a inflação’’, aponta Montenegro.
Hoje, parece remota a possibilidade de que se repita o fenômeno de 1988, quando o assassinato, pela polícia, de três operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), redundou na eleição de prefeitos de esquerda em grandes capitais, como a da hoje deputada Luiza Erundina (PSB), então no PT, em São Paulo. ‘‘Nós ainda não tínhamos votado nem para presidente’’, lembra Montenegro. ‘‘Toda eleição ainda era muito voltada para o nível nacional, mas, agora, eleger prefeito nada tem a ver com os problemas do Brasil.’’
O cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj), afirma que os dois últimos pleitos municipais, em 1992 e 1996, já demonstraram uma grande tendência de localizar o voto. ‘‘A agenda local deve predominar também nas próximas eleições’’, acredita Nicolau.
Se os baixos níveis de popularidade do presidente se mantiverem até o ano que vem, prevêem os analistas, pode acontecer de os candidatos não demonstrarem tanto afinco em usar o nome e a imagem de FHC, como foi nas eleições para governador, em 1998.

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