Crise na Sercomtel vai à Justiça
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de junho de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
Argumentando que o Município de Londrina está fazendo uma ''gestão temerária'' na Sercomtel, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) - sócia da telefônica com 45% das ações - ajuizou medida cautelar para cancelar a exoneração do diretor administrativo-financeiro da Sercomtel, Claudemir Molina, indicado pela empresa estadual em consenso com o Município. A exoneração de Molina - solicitada pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) - foi aprovada pelo Conselho de Administração da Sercomtel no último dia 21 e abriu uma crise política entre os sócios.
A Copel entende que o Município violou o acordo de acionistas ao solicitar que o Conselho de Administração - cuja composição majoritária é do Município - exonerasse Molina sem o consentimento da Copel. ''A drástica atitude revela afronta não apenas ao interesse da sociedade, mas ao interesse público'', argumentam os advogados da Copel na ação, mencionando também ''abuso de direito'' por parte do Município.
A companhia paranaense também cita a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre possível compra de apoio de vereadores que levou à prisão o ex-diretor de Participações da Sercomtel Alysson Tobias de Carvalho (ainda detido) e ao afastamento do então presidente da telefônica Roberto Coutinho Mendes. ''A destituição do diretor (Claudemir Molina) sem motivação factível ou expressa faz presumir inadequada e inconveniente interferência política e retaliação em face das investigações cíveis e criminais levadas a cabo pelo Ministério Público sem objeções da Copel'', escreveram os advogados.
Coutinho e Carvalho foram acusados de corrupção e formação de quadrilha, juntamente com outros dois assessores diretos de Barbosa Neto - o ex-secretário de Governo Marco Cito e o ex-chefe de Gabinete Rogério Ortega, com o empresário Ludovico Bonato e o vereador Eloir Valença (PHS). Alysson Tobias - indicado por Barbosa - foi exonerado após o afastamento de Coutinho, durante o período em que a vice-presidente da Sercomtel Eloíza Pinheiro - indicação da Copel - assumiu o comando da empresa interinamente. Em seu lugar, a Copel nomeou Sérgio Milani, um funcionário concursado.
Engrossou a crise entre Sercomtel e Copel a recomendação do MP para exoneração de Cristiane Hasegawa do Conselho de Administração da telefônica. O prefeito atribuiu a recomendação a uma retaliação pela exoneração de Molina.
A ação cautelar foi distribuída à 2 Vara da Fazenda Pública de Londrina. Em 30 dias, a Copel deve mover a chamada ação principal, pedindo que Claudemir Molina seja reintegrado ao cargo.
Leia Também:
MP convoca Barbosa para depor



