Crise na base dificulta nova aliança
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O confronto entre os partidos da base de apoio do governo pelas presidências e demais cargos das mesas do Senado e da dos Deputados prenuncia os obstáculos e dificuldades que o presidente FHC terá para repetir, na eleição de 2002, a aliança que garantiu a sua vitória no primeiro turno das eleições de 1994 e 1998.
O eventual enfraquecimento de um dos partidos da sua base de apoio poderá estimular a escolha de candidatos próprios, fragmentando a corrida sucessória também no campo governista. O resultado do primeiro turno das eleições municipais mostrou que os cinco partidos da coalizão governamental PSDB, PMDB, PFL, PTB e PPB conquistaram dois terços dos eleitores (mais de 50 milhões de votos) contra os 25 milhões de votos obtidos pelos partidos cinco principais partidos da oposição (PT, PDT, PSB, PPS e PC do B).
Na medida em que a oposição se prepara para lançar três candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva, Itamar Franco e Ciro Gomes, a hipótese de vitória do situacionismo é mais forte se os partidos que a compõem forem capazes de disputar com um único nome.
A dois anos da eleição e a menos de um da definição dos candidatos é mais, o cenário é de conflitos na base aliada. O quadro é mais dramático no Senado, onde a disputa pela presidência da casa produziu o rompimento pessoal entre os dois principais líderes do PMDB, Jader Barbalho (PA), e do PFL, Antônio Carlos Magalhães (BA).
O desfecho desse caso com uma derrota percebida também como uma derrota de uma das legendas criará um ambiente de distenção política difícil de ser superado. Isso porque a derrota de um dos dois partidos, PMDB ou PFL, romperá o instável equilíbrio na distribuição do poder mantida por Fernando Henrique nos últimos seis anos.
O atual processo de acomodação de forças na base governista pode ser interpretado como a primeira fase da corrida presidencial no situacionismo, que inclui ainda o PSDB do presidente da República. Esse tripé se equilibra desde 1995 da seguinte forma: o PSDB tem a presidência e o controle total da área econômica e e setores da área social do governo (ministérios da Fazenda, Orçamento, Educação, Saúde e o Banco Central); o PFL tem a vice-presidência da República, a presidência do Senado e controla setores da área social e de infraestrutura (ministérios das Minas e Energia, Previdência e Meio Ambiente); o PMDB tem a presidência da Câmara e dois ministérios do setore de infra-estrutura: Transportes e Integração Nacional.
As presidências das duas casas do Congresso desempenham um papel-chave de equilíbrio na composição do poder político nacional. Os partidos que as controlam distribuem as posições internas de poder no Legislativo entre os demais partidos e as secções regionais de suas próprias siglas e adquirem forte capacidade de barganha perante o Planalto.
O controle do processo decisório legislativo na definição de prioridades da pauta, da ordem do dia do plenário e da mobilização do quorum de votação obrigam o governo a aceitar trocas que em última instância beneficiam os interesses dos estados e municípios dos chefes políticos que dirigem as mesas do Congresso Nacional. As posições de poder no Congresso são por isso objeto de disputas predatórias entre os partidos. A presidência do Senado e o domínio da política de seu estado, a Bahia, constituem a fonte de poder do senador Antônio Carlos. (A.E)


