Curitiba - Cerca de 30 mil pessoas ocuparam ontem a Boca Maldita, trecho do fim da rua XV de novembro na chegada a praça Osório, no Centro de Curitiba, para protestar contra as denúncias de irregularidades na Assembleia Legislativa (AL). O ato, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil seccional Paraná (OAB-PR), começou por volta das 18h30, mas desde as 17 horas músicos de Curitiba se revezaram no palco para chamar a multidão para o evento. ''Fora Justus'' e ''vergonha'' foram os principais gritos de guerra dos manifestantes. As manifestações contra os supostos fantasmas da AL também foram realizadas em Londrina, Maringá, Paranavaí e Marechal Cândido Rondon e em outras sete cidades do Estado.
Para o presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Paulo Moreira da Rosa Júnior, a movimentação de ontem é ''uma grande resposta aos deputados que diziam que o movimento era composto por 50 gatos-pingados'', em referência a uma declaração do presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM), que havia classificado assim os protestos de estudantes em frente ao prédio da Casa. ''Essa força aqui pode mudar essa história'', afirmou Rosa Júnior.
A manifestação reuniu gente como a nutricionista Gicelda Machado Passos, que levou a filha Tairine e a sobrinha Celina de Camargo Machado para o Calçadão. ''Sou um pouco cética em relação ao resultado disso, mas a gente tem que fazer alguma coisa'', disse. Celina, que é fisioterapeuta, disse que já tinha ido às ruas para pedir o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. ''Fui cara-pintada e hoje estou aqui de novo'', contou.
A estudante Tairine viu no evento um ultimato para começar a se interessar por política. ''Nunca me interessei, mas está mais do que na hora de começar'', declarou. Gicelda diz que o que a fez ir até a Boca Maldita foi o fato do protesto ser organizado por diversas entidades. ''Não é uma coisa de uma entidade só, de uma classe só, de um partido. É geral'', completou.
O senador Flávio Arns (PSDB), que esteve na manifestação, disse que mensagem é clara. ''Todos os membros da Mesa Diretora devem se afastar'', afirmou. Arns defendeu inclusive a saída do presidente do PSDB, Valdir Rossoni, que é segundo secretário da Assembleia e contratou como assessor parlamentar um piloto particular, conforme noticiado pela FOLHA.
''Hoje é um dia histórico'', afirmou o deputado estadual Ney Leprevost (PP). O parlamentar disse que a manifestação de ontem ''pode influenciar muito'' as próximas ações da Assembleia. Mas também afirmou não se sentir ''confortável para julgar seus pares''. ''É natural que as pessoas cobrem mudanças já que elas trabalham cinco meses no ano para pagar o governo, cinco meses para pagar os impostos que financiam o governo'', completou.

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