As dificuldades em caixa e o estado pré-falimentar das prefeituras municipais estão levando os prefeitos eleitos em 96 a repensarem seus projetos políticos para o ano 2000. Reunião dos coordenadores regionais, realizada ontem à tarde no auditório da Secretaria do Desenvolvimento Urbano, em Curitiba, revelou que os atuais prefeitos estão preocupados com os reflexos do ajuste fiscal preparado pelo governo federal e com medo de não se reelegerem daqui a dois anos.
‘‘O sucesso da reeleição está na realização de uma boa administração’’, declarou o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB). Ele disse que muitos prefeitos estão conscientes disso e que para a próxima eleição não bastará ter apenas vontade própria para concorrer. ‘‘Muitos estão falando sobre isso já. Ainda por cima, teremos de enfrentar esse pacote de contenção que vai ser anunciado pelo governo federal’’, considerou.
O prefeito de Castro (região Central do Estado), Claudion Braga (sem partido), já anunciou que não tem pretensão em disputar a reeleição no ano 2000. O prefeito disse que só volta atrás se houver prorrogação de mandato dos eleitos em 96. ‘‘Até agora, só administrei crises. Perco a eleição para qualquer um’’, reclamou. Segundo Braga, as dificuldades financeiras rebaixaram o município de nono colocado em arrecadação do Estado para décimo sétimo. ‘‘Isso acaba com um prefeito’’, emendou.
Braga afirmou que o processo de enxugamento implantado pelos prefeitos, que de 96 para 97 conseguiram reduzir o défict das prefeituras em média de 11% para 2%, corre o risco de cair no vazio. ‘‘Reduzi os gastos com folha de pagamento. Melhorei a arrecadação em 8,5% e agora vem o governo federal com um pacote em cima’’, protestou.
O prefeito de Maringá, Jairo Gianotto (PSDB) disse que boa parte dos prefeitos concorda com a emenda que tramita no Congresso e que acaba com a reeleição em 2000. Gianotto discorda e disse achar ‘‘antidemocrática’’ a estratégia de alguns deputados em derrubarem a reeleição. O tucano concorda entretando que o momento financeiro é difícil e que a reeleição está cada vez mais distante dos atuais prefeitos.
‘‘Quem concorrer não vai ganhar, quem não concorrer assina atestado de incompetência. Ou se admite que não foi bem ou então procurá-se um problema de saúde para justificar eventual desistência’’, ponderou Gianotto. José do Carmo Garcia também concorda com a tese do prefeito de Maringá sobre a reeleição. ‘‘A crise está feia e os prefeitos estão com poucas perspectivas de terem a reeleição garantida.’’
O prefeito de Curitiba e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana (Assomec), Cassio Taniguchi (PFL), não compareceu na reunião mas disse via assessoria que ‘‘é muito prematuro discutir a reeleição’’. ‘‘Mal saimos de uma eleição. O momento é de se enfrentar a crise’’.

mockup