Crise induz aliados a rever programas
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sábado, 29 de setembro de 2001
Silvio Bressan<br> Agência Estado 
Um discurso mais cauteloso, que inclui perspectiva de crescimento menor, maior ênfase na política de exportações e valorização do mercado interno. São os primeiros reflexos do novo quadro internacional no debate dos maiores partidos sobre a eleição 2002. Desde os ataques aos EUA, a sensação geral nas cúpulas é de que alguns rumos precisarão ser corrigidos. ''Nada ficou do mesmo tamanho, nem no mesmo lugar'', resume o presidente do PSDB, deputado José Anibal (SP). ''Houve fatos tão extraordinários que exigirão de nós uma reação.''
Para os governistas, isso pode significar metas mais realistas e a redução no otimismo sobre a economia. Segundo o deputado Marcos Cintra (PFL-SP), a repercussão dos atentados na economia mundial levará os pefelistas a reduzir as metas de crescimento - que eram de 5%, em média, no próximo governo. ''Não era o que pretendíamos, mas fazer o quê? É a conjuntura.''
Cintra lembra que a previsão de arrecadação do governo caiu de US$ 30 bilhões em 2000 para US$ 18 bilhões neste ano, por causa das privatizações, e agora acha que sofrerá a consequência dos atentados. ''As empresas americanas ficarão receosas e, com isso, haverá queda mais profunda dos investimentos diretos externos'', diz. ''Com isso, a previsão de arrecadação poderá cair até para US$ 15 bilhões e não teremos como fechar esse rombo. O grau de vulnerabilidade da nossa economia ficou muito maior com essa crise.''
Como reação, o programa do PFL recomenda dar prioridade às exportações e ao mercado interno. A questão social, para Cintra, dependerá do sucesso dessas políticas. Os economistas do PFL também sugerem uma volta ao FMI. ''Já que eles estão injetando dinheiro para que a recessão não se aprofunde no mundo, podemos obter mais recursos'', anota o deputado. Mais do que tudo, ele reforça a necessidade do crescimento estimulado pelo Estado. A sugestão surpreendeu Anibal. Para ele, voltar ao FMI é sempre uma alternativa, mas a proposta dos pefelistas hoje soa como ironia.
Anibal prefere apostar na política de exportações. ''Temos de avançar fortemente no comércio exterior, com ações para acabar com a burocracia, o excesso de taxas e os impostos em cascata'', defende. Para ele, o candidato do governo precisará avançar no discurso sem perder de vista o que já foi conquistado. ''Ele precisará ter uma visão internacional sem perder a referência local. Olhar o mundo, mas com os pés no chão.'' Mais complicada, diz, será a situação da oposição. ''O promessismo não adianta mais.''
O deputado Émerson Kapaz (PPS-SP) concorda e lembra o alerta do publicitário Nizan Guanaes, de que ''as duas torres de Nova York caíram para a direita'' e no Brasil isso significará um eleitor mais conservador.


