Crise financeira atinge a Educação
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sábado, 19 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A crise financeira admitida pelo governador Jaime Lerner, durante a semana, atinge em cheio a Educação do Paraná. O governo do Estado não paga os aluguéis dos imóveis privados que abrigam os núcleos regionais de Educação há quatro meses. O vale-saber - bolsa-auxílio de R$ 100,00 prometida pelo governo para todos os 75 mil professores do Paraná - está suspenso desde abril deste ano por falta de recursos.
Os 345 prefeitos que firmaram acordo com o governo para a municipalização do ensino de 1ª a 4ª séries também reclamam da não liberação de verbas. Na última quinta-feira, um grupo de servidores do município de Almirante Tamandaré, liderado pela secretária municipal da Educação, Denise Tavares Mory, protestou em frente à sede da Seed em Curitiba.
A Prefeitura de Almirante Tamandaré alega dispor de um crédito de R$ 689,6 mil em recursos, acumulados nos últimos três meses e prometidos como contrapartida do Estado para a municipalização do ensino. Mesmo quadro enfrenta o município de Colombo, região metropolitana de Curitiba, que tem quase R$ 800 mil em haver. A diretoria geral da Educação não tem um levantamento geral do total em atraso, mas admite que a dívida é alta.
O diretor geral Laureni Martins Teixeira disse à Folha que o governo pretende solucionar o quanto antes o impasse. Estamos nos empenhando para conseguir uma forma de amenizar o problema, que atinge principalmente os pequenos municípios, garante.
Quanto aos aluguéis dos núcleos em atraso, Martins Teixeira aponta uma dívida de quase R$ 250 mil, que se arrasta desde abril deste ano. Segundo ele, o setor da Fazenda responsável pelo pagamento dos aluguéis às imobiliárias contratadas pelos proprietários alega não ter recursos para saldar a dívida e aguarda o retorno do secretário Giovani Gionédis, de Nova Iorque, para liberar um quarto do valor devido.
A inadimplência do governo, informa o diretor geral, atinge núcleos distribuídos em 20 municípios. São eles: Curitiba (R$ 24 mil), Maringá (R$ 22 mil), Cornélio Procópio (R$ 24,4 mil), Campo Mourão (R$ 19,8 mil), Wenceslau Braz (R$ 4,6 mil), Cascavel (R$ 13,1 mil), Francisco Beltrão (R$ 8,3 mil), Dois Vizinhos (R$ 8,9 mil), Nova Londrina (R$ 10,5 mil), União da Vitória (R$ 11 mil), Goioerê (R$ 6,6 mil), Ivaiporã (R$ 6,1 mil), Pato Branco (R$ 11,7 mil), Guarapuava (R$ 10,6 mil), Apucarana (R$ 11,4 mil), Pitanga (R$ 4,4 mil), Assis Chateaubriand (R$ 7,4 mil), Cianorte (R$ 8,7 mil), Umuarama (R$ 6,6 mil) e Ponta Grossa (R$ 12 mil).


