Crise faz Belinati trocar secretários Argumento oficial é reestruturar quadro desfalcado pela disputa de outubro, mas escândalo das investigações teria pesado Patrícia Zanin e Lúcio Flávio Moura De Londrina O prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL) deverá fazer uma reforma em seu secretariado depois do Carnaval, que atingiria pelo menos sete pastas: secretarias de Ação Social e Recursos Humanos, chefia de gabinete, AMA, Comurb, IPPUL e Acesf. Oficialmente, o objetivo é reestruturar a equipe que deve ser desfalcada com possíveis candidatos nas eleições de outubro. Mas a Folha apurou que nem todos que estariam deixando o cargo tem pretensões políticas. A crise motivada pelo escândalo AMA-Comurb também teria pesado na decisão do prefeito, que ontem estava fora da cidade. A informação sobre a reforma pegou de surpresa vários secretários. ‘‘Eu não ouvi rumores nem comentários. Estou surpreso’’, reagiu o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), João Batista Bortolotti. ‘‘Minha candidatura está descartada. Sou apenas um técnico, que quer ajudar a administração’’, afirmou. ‘‘Que eu saiba, a AMA deve ser extinta e incorporada à Comurb. Mas não sei o quanto isso poderia significar a minha saída’’, informou o presidente da companhia, Celso Costa. Ele também nega que vá disputar eleição. ‘‘Nem filiado eu estou’’, afirmou. Costa era do PT, mas deixou a sigla depois que aceitou presidir a Comurb, no ano passado. O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Rubens Canizares, é outro que não pensa, por enquanto, em concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. ‘‘Neste momento estou pensando em desvincular do meu nome as denúncias de irregularidades na AMA’’, argumentou. Mas não descarta a candidatura e admite que pretende conversar sobre o assunto com a família e com os amigos. O secretário de Recursos Humanos, Marcos Colli, é outro que não descarta tentar uma cadeira no Legislativo, mas se surpreendeu com o fato de a mexida nas secretarias e autarquias estar sendo articulada agora. A lei eleitoral prevê que o prazo de desincompatibilização para quem vai disputar as eleições vence no próximo dia 30. ‘‘Imaginava que essa reforma seria feita na última semana do mês.’’ O presidente da Acesf, Gustavo Santos, admitiu que sabia da reestruturação, mas não imaginava os setores afetados. ‘‘Mas se o meu cargo for necessário para viabilizar a reforma, eu me coloco à disposição do prefeito’’, afirmou. Ele afirma que não sairá candidato. Já a chefe de gabinete de Belinati, Sandra Graça, disse estar disposta a tentar uma vaga na Câmara de Londrina. ‘‘Mas se eu me decidir pela candidatura, poderei continuar colaborando com o prefeito em outra função’’, prontificou-se. Sandra já está, inclusive buscando votos. A secretária de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, estaria deixando o cargo para assumir um posto concursado no Banco Mundial. Ela, porém, deve acumular a função com a de secretária de Recursos Humanos, até ser chamada pela instituição. Marisa não retornou as ligações feitas pela Folha. Nos bastidores, a saída de Marisa estaria ligada a sua insatisfação com o tratamento do município à Ação Social. No mês passado, quando a secretaria da Fazenda apresentou um balanço sobre a utilização dos R$ 186 milhões obtidos pelo município com a venda de ações da Sercomtel, a Ação Social foi apontada como tendo recebido verbas que a secretária garante que não chegaram. Já a possível saída de Rubens Canizares teria motivação com seu relacionamento com o deputado estadual Moysés Leônidas, de quem o presidente da AMA foi assessor por vários anos. Leônidas se coloca como pré-candidato do PDT às eleições de outubro. No caso de Celso Costa, o Executivo estaria sofrendo pressões das empresas de transporte coletivo para demiti-lo porque a Comurb analisa pedido de concessão de linhas de ônibus urbanos para a empresa Radar, de Cambé.