Curitiba - A celeuma em torno da crise das prefeituras e o desgaste gerado pela situação junto ao Palácio Iguaçu podem interferir nas eleições municipais do ano que vem. A forma como o problema será administrado até seu desfecho terá impacto direto nas urnas.
O partido do governador Roberto Requião (PMDB) pretende lançar candidato próprio no maior número possível de municípios. Partidos aliados, como o PT, também querem ocupar espaço nas prefeituras. Dependendo da disposição ou indisposição das atuais lideranças municipais com o governo, as costuras podem ficar difíceis, por conta de rompimentos políticos e perda de cabos eleitorais. E partidos em tese adversários, como o PFL e o PSDB, podem acabar beneficiados. As duas legendas estudam a possibilidade de formar uma aliança em 2004.
De olho nas consequências, o secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, responsável pelas articulações políticas no governo, não quer que o caso seja visto como uma queda-de-braço entre Estado e prefeituras. Para Quintana, o problema está na escassez de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), transferência que é responsabilidade da União e não do governo do Paraná.
O discurso oficial da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), que representa as prefeituras, é semelhante ao do Palácio Iguaçu: que a entidade não quer brigar com o governo estadual, garante o presidente, Joarez Lima Henrichs (PFL). No entanto, a ameaça de moratória desagradou o Palácio Iguaçu. O governador chamou os prefeitos que adotaram meio expediente de ''meios prefeitos'', ataque prontamente rebatido por Henrichs, que chamou o governo Requião de ''meio governo'', já que parte das repartições públicas funciona apenas meio período.
Aliados do governador contam que ele ficou irado com a crítica, o que pode complicar as negociações em torno dos recursos para transporte escolar. Quintana reclamou que o governo anterior, autor do orçamento para este ano, fixou número bem maior para repasses ao transporte escolar: R$ 32 milhões este ano, enquanto em 2002 o total ficou em R$ 12 milhões.
Segundo o secretário, aumentou também, em 28%, o volume de repasses às cidades referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Portanto, na visão do governo, os prefeitos não precisam bater de frente com o governo e suspender os pagamentos.

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