A mais nova crise política na base aliada do governo encenada na semana passada entre o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) deverá ganhar fôlego durante as próximas semanas e dar destino à CPI dos Bancos, possivelmente comprometendo politicamente seu desfecho. A dimensão dessa crise ficará condicionada às reações de ACM. Se o cacique pefelista insistir na convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor na CPI que investiga o sistema financeiro, o contra-ataque do ministro tucano será ainda mais forte.
Arquivo FolhaPerigoMagalhães: postura agressiva tem provocado a ira do Planalto‘‘ACM não tem o monopólio da palavra no Brasil’’, alertava Pimenta da Veiga, no final da semana passada, num aviso explícito de que está disposto a comprar qualquer briga com a principal liderança do PFL. Afinal, o presidente Fernando Henrique Cardoso não esconde mais de ninguém o incômodo que está sentindo com as sucessivas ‘‘provocações’’ do senador baiano. Ou seja, a partir de agora Pimenta será o porta-voz de tudo o que o presidente Fernando Henrique estiver pensando, mas que por causa do seu perfil diplomático e pelo cargo que ocupa, jamais teria a coragem de dizer.
A postura do articulador político do governo no episódio da semana passada ganhou apoio incondicional de todas as plumagens tucanas. Até porque ao ter a coragem de enfrentar ACM publicamente, Pimenta da Veiga, acabou recuperando o orgulho do PSDB, que desde a morte de então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, estava em baixa. Pimenta está escalado oficialmente para defender o presidente Fernando Henrique Cardoso, mesmo sabendo que terá que enfrentar a ira de Antônio Carlos.
A análise que se faz dentro do ninho tucano, é que ainda pode demorar um pouco até o articulador político do governo ganhar prestígio igual ao de ‘‘Serjão’’, mas que isso poderá ser conquistado rapidamente com mais duas trombadas com ACM. ‘‘Pimenta não defenderia o presidente, caso ele não quisesse’’, avaliou um assessor do Planalto.
‘‘O seu gesto não teve nada de quixotesco’’, completou este mesmo assessor, fazendo uma referência a entrevista de Pimenta da Veiga publicada em ‘‘O Estado de S. Paulo’’ na última quinta-feira, em que ele afirmava que o ministro Malan não iria depor na CPI do Sistema Financeiro. Ou seja, o ministro tucano não está só e nem fez um ato isolado. Tanto é verdade que os governadores tucanos Mário Covas (SP) e Tasso Jereissati (CE), os dois principais caciques do PSDB, fizeram questão de marcar um jantar com Pimenta da Veiga, na última sexta-feira em São Paulo, para demonstrar o apoio explícito às declarações feitas pelo ministro das Comunicações.
A interpretação dos tucanos é que o comportamento de ACM com o governo só deverá piorar de agora em diante. Até porque, ele tem a pretensão de disputar a sucessão de Fernando Henrique em 2002 e por isso o cacique pefelista precisaria marcar posição. Um integrante da executiva do PSDB lembra que a interferência direta de Antônio Carlos Magalhães na CPI do Sistema Financeiro e a postura agressiva em relação ao governo começaram depois que o senador baiano começou a perder espaço na mídia com a CPI do Judiciário.

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