A crise no mercado financeiro agitou as campanhas dos principais postulantes ao governo do Paraná. Candidato da coligação PMDB-PT-PDT, o senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que o Paraná é um dos estados brasileiros mais ‘‘vulneráveis’’ à turbulência das bolsas no mundo. ‘‘O governo do Paraná precisa redirecionar todos os incentivos para a Agricultura. Ficaremos ainda mais vulneráveis, porque sofremos os reflexos de uma dilapidação de patrimônio’’, discursou.
Para Requião, a política de industrialização defendida pelo governador Jaime Lerner (PFL), seu maior adversário na briga pelo Palácio Iguaçu, se torna frágil num momento financeiro como esse vivido pelo Brasil. ‘‘A Agricultura resiste mais à crise e a recessão é um fenômeno industrial’’, considerou. Requião assinalou ainda que o Paraná vai sofrer com esta crise muito mais que nas passadas. ‘‘Não temos nada para dar suporte. O governo já entregou a Sanepar’’, citou.
Alinhado ao candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Requião pintou um ‘quadro negro’ da situação ontem durante sua campanha em Curitiba. ‘‘Crise gera violência. Os assaltos em Curitiba têm aumentado. No governo do Estado, falta planejamento’’, criticou o senador. Ele assinalou que a atitude do presidente Fernando Henrique, assumindo que o Brasil faz parte do problema, é sinal de que a oposição fez críticas acertadas.
O governador Jaime Lerner respondeu os ataques do senador através de sua assessoria de imprensa. Lerner afirmou que as ponderações levantadas pelo senador não têm fundamento. O governador observou que os R$ 15 bilhões trazidos pelo seu governo ao Paraná, nos últimos três anos e meio, estão calcados na produção e não na especulação. ‘‘A agitação no mercado brasileiro é reflexo de um comportamento mundial’’, declarou o governador, que passou o dia em campanha também em Curitiba.
A assessoria do governador ressaltou ainda que, para Lerner, não houve um esquecimento da Agricultura, como acusa o candidato das oposições. ‘‘O Paraná não mudou de perfil. Apenas reafirmou sua posição no quadro nacional. Continuamos investindo na área agrícola. E poderíamos ter investido mais se o senador Requião não tivesse bloqueado por meses recursos do Programa Paraná 12 Meses’’, afirmou o governador.
Para o candidato à reeleição, a teoria de Requião é não é correta e a Agricultura fica muito mais frágil durante uma crise financeira que a Indústria. Os aliados de Lerner entendem, por exemplo, que os bens exportáveis (commodities), como é o caso do soja, café, boi, estão mais suscetíveis a reflexos, nessa situação. ‘‘As cotações dos commodities dependem das bolsas de valores’’, lembrou o governador, via assessoria.

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