A crise financeira internacional e o pacote de ajuste fiscal do governo produziram duas novas parcerias na base aliada. Enquanto o PSDB radicaliza o discurso em defesa da ‘‘integralidade’’ do pacote e se aproxima do PMDB, o PFL busca uma aliança com o PPB nas críticas ao aumento do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e ao corte dos incentivos regionais.
A estratégia dos tucanos é insistir na gravidade da crise que atingiu o Japão, ameaça os Estados Unidos e, por tabela, o Brasil. ‘‘Pela primeira vez, o PSDB toma uma posição firme e competente, correndo riscos, enquanto o PFL escolhe um caminho oportunista’’, comemorou o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, em café da manhã da cúpula tucana, na casa do líder na Câmara, Aécio Neves (MG), ontem cedo.
O alto tucanato está convencido de que poderá ‘‘faturar’’ a crise, com o discurso corajoso em defesa de medidas impopulares. A direção nacional do PSDB acredita que, caso o governo se saia bem, o partido estará salvo porque, em vez de ter feito política, defendeu o Brasil. ‘‘O PFL está nos passando a bandeira de parceiro sólido do governo’’, resumiu um dirigente tucano.
A parceria com o PMDB ganhou contornos concretos nos discursos de ontem. ‘‘Conclamamos os companheiros a compreender a gravidade da crise’’, disse Neves. ‘‘Nossa preocupação é salvar o País, e não só a classe média’’, completou, referindo-se à reação do PFL contra o aumento do IRPF. ‘‘A base governista está toda neste barco; ninguém vai poder dizer que está de fora’’, alertou o líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA).
Quem deu o tom da gravidade da crise na reunião dos líderes aliados para discutir as reformas foi o anfitrião Motta. Mas o líder peemedebista lembrou que a falência da quarta maior corretora de seguros japonesa - a Yamaichi - põe a segunda economia mundial ‘‘no olho do furacão’’. Até o secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão, que teve a secretaria atingida em cheio pelo corte dos incentivos, engrossou o coro.
‘‘A situação externa é muito grave e as reformas estão cada vez mais tímidas para encarar essa crise’’, cobrou o secretário. O líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), ouviu tudo, mas não passou recibo.

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