Crise é a Marta que está vivendo, não nós, diz Verri
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O ataque da senadora Marta Suplicy (PT-SP) ao alto escalão do Partido dos Trabalhadores e ao governo da presidente Dilma Rousseff, em entrevista publicada no último domingo pelo jornal "O Estado de S. Paulo", é uma manobra para deixar a legenda e manter o mandato, afirma o presidente estadual do PT no Paraná e deputado estadual Ênio Verri. Ele também refuta a teoria de que o PT precisa "mudar para não acabar", como afirmou a ex-ministra da Cultura.
A senadora, ex-ministra por duas vezes, ex-deputada e ex-prefeita de São Paulo, concedeu entrevista para a jornalista Elaine Cantanhêde publicada no fim de semana no jornal "O Estado de S. Paulo". Nela, a petista afirma que Lula cogitava ser o candidato à Presidência da República nas eleições do ano passado e que ele critica Dilma por não ouvir ninguém. Também deixa claro que se sente deixada de lado dentro do partido e não nega que pense em trocar de legenda.
Marta ainda ataca a gestão passada do ministro da Cultura Juca Ferreira, diz que o ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante é "inimigo" de Lula e que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, traiu o partido e o projeto da legenda.
E se indaga: "Cada vez que abro um jornal, mais fico estarrecida com os desmandos. É esse o partido que ajudei a criar?".
Marta ainda avalia o mau resultado em São Paulo nas eleições passadas como uma resposta anti-PT no Paraná, os tucanos Aécio Neves e Beto Richa, candidatos a presidente e governador do Estado, também venceram as petistas Dilma e Gleisi Hoffmann.
Verri desclassifica as declarações da senadora por considerar que ela não quer perder a cadeira no Congresso. "A Marta tem demonstrado interesse em sair do PT, mas, se ela o fizer, o suplente vai querer a vaga, como o partido também vai pedir", avisa. Na visão dele, a polêmica criada é uma estratégia para dizer que não é bem recebida dentro do PT para que seja desligada sem caracterizar infidelidade partidária.
Ele ainda descarta a teoria de que Lula gostaria de voltar à Presidência da República, afirmando que, se tivesse feito consulta popular no último ano de seu mandato, "teria sido reeleito com 80% dos votos", assim como desacredita no rompimento com Dilma. "O Lula conversa com políticos todos os dias. Por que só diria essas coisas à Marta? Se fosse o Gilberto Carvalho (ex-Secretário-Geral da Presidência) falando, eu acreditaria", minimiza.
O deputado estadual também desconsidera a suposta crise da legenda, com reflexos no desempenho das eleições o que considera uma avaliação fraca da senadora, já que, nas eleições municipais de 2012, o PT foi o mais votado no Paraná. Sobre 2014, considera que houve uma campanha de nível muito baixo, mas da qual saíram vencedores em Brasília. "Crise é ela (Marta) que está vivendo, não nós", rebate.


