São Paulo - Os resultados do primeiro turno das eleições mostraram claramente que os produtores agrícolas já escolheram seu candidato à Presidência. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, ganhou em sete dos dez maiores Estados produtores de grãos do Brasil e, em todos eles, o porcentual de votos superou os 50%, indicando que os produtores agrícolas já gostariam que as eleições terminassem no primeiro turno.
  A crise pela qual o setor agrícola passa nos últimos anos é apontada pelo cientista político da Fundação Getúlio Vargas, Marco Antonio Carvalho Teixeira, como o principal motivo pela preferência do agricultor pelo ex-governador de São Paulo. ‘‘A rejeição ao presidente Lula cresceu mais nesse último ano e se intensificou com a saída do Roberto Rodrigues do Ministério da Agricultura’’, afirma Teixeira.
  Na média dos dez maiores Estados Agrícolas, Alckmin teve 46,76% dos votos, enquanto o presidente Lula conseguiu 44,87%. A vitória do candidato do PT ocorreu apenas nos Estados de Minas Gerais, Bahia e Maranhão, quinto, sétimo e décimo maiores produtores agrícolas, respectivamente. A vantagem obtida nos Estados do Nordeste fez com que Lula diminuísse a diferença em relação ao candidato do PSDB no total dos dez Estados.
  No Centro-Oeste, maior região produtora do Brasil, Geraldo Alckmin, teria sido eleito já no primeiro turno, com 54,19% dos votos contra 38,27% recebidos pelo presidente Lula. No Mato Grosso, Alckmin conseguiu a preferência de 54,82% dos eleitores. Já Lula, considerado ‘‘a nova praga do agronegócio’’, obteve apenas 38,65% dos votos. ‘‘As políticas agrícolas tomadas por esse governo não ajudaram em nada o agronegócio. Isso fez com que quase 100% dos produtores votassem no candidato Geraldo Alckmin’’, afirma Normando Corral, presidente em exercício da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato).
  Na região Sul, segunda maior produtora de grãos e onde as dificuldades com a produção estão relacionadas com os problemas climáticos e menos com o câmbio e renda, a vantagem do ex-governador paulista foi ainda maior: 55,13% contra 34,73%. No Rio Grande do Sul, Estado que o Partido dos Trabalhadores dominou politicamente por muitos anos, o presidente Lula conseguiu apenas 33,07%, contra 55,76% de Alckmin. ‘‘Para que o presidente Lula consiga reverter essa situação ele terá que buscar apoio dos governadores nos Estados agrícolas, caso de Roberto Requião, no Paranᒒ, afirma Teixeira.
  Em Brasília, a bancada ruralista conseguiu reeleger 75 dos 100 deputados que compõem o grupo. Entre os 25 que ficaram de fora, três deles vão assumir cadeiras no Senado, caso de Eliseu Resende (PFL-MG), Francisco Dornelles (PP-RJ) e Kátia Abreu (PFL-TO). Na pauta política do agronegócio para 2007, os parlamentares deverão priorizar a renegociação das dívidas acumuladas nas três safras plantadas, as questões relacionadas à reforma agrária e a necessidade de aumento dos recursos destinados para a defesa sanitária, segundo o deputado reeleito, Leonardo Vilela.

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