Crise derruba prestígio de FHC para 19%
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quarta-feira, 10 de março de 1999
LiSge Albuquerque Agência Estado 
A avaliação positiva do presidente Fernando Henrique caiu de 27% em janeiro para 19% em fevereiro, de acordo com uma pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e Instituto Vox Populi. Também caiu a confiança da população no governo federal: enquanto em janeiro do ano passado 37% dos entrevistados achavam que a inflação iria ultrapassar os limites suportáveis e 56% apostavam que o desemprego também iria aumentar, hoje 73% têm certeza do aumento da inflação e 80% acreditam que o desemprego só tende ter seus índices aumentados.
Esse resultado demonstra que o governo demorou para agir em relação à crise, gerando na sociedade uma sensação de ausência de autoridade, acredita o presidente da CNT, Clésio Andrade. É hora do governo sair do imobilismo e agir com rapidez. A pesquisa foi realizada em 185 municípios, com 2.007 entrevistados, nos dias 28 e 1º.
Desde maio, a CNT e o Vox Populi realizam essas pesquisas mensalmente, medindo o chamado Índice de Satisfação do Cidadão (ISC). Este índice em fevereiro foi o mais baixo desde que a pesquisa começou a ser feita. Numa escala de 0 a 200, em que a média considerada é 120, o ISC de fevereiro foi de 110,17 pontos. Comparado com outubro, quando Fernando Henrique foi reeleito, a queda foi de 8,78 pontos.
A expectativa do brasileiro em sair da crise passa qualquer previsão das cláusulas do acordo com o FMI. De acordo com a pesquisa, 25% acreditam que só em mais de dois anos de luta é que o País retoma a reta do crescimento; 20% acreditam que o tempo pode variar de seis meses até um ano, e 17%, que levará mais de um e até dois anos. Os pessimistas absolutos, que acreditam que o País nunca vai superar a crise, foram 12% dos 2.007 entrevistados.
Apesar de toda a insatisfação, não há muita predisposição dos que ganham mais de 20 salários mínimos para colaborar na luta contra a volta da inflação. Numa pergunta direta: Está disposto a fazer o sacrifício de não ter seu salário reajustado para conter o crescimento da inflação?. O não foi de 54%. Curiosamente, quem ganha até um salário mínimo foi mais condescendente e 36% topariam não ter aumento de salário em troca de um dígito de inflação, de preferência zero.
Para o diretor do Vox Populi João Francisco Meira, a relação de menor salário com maior medo da volta da inflação se dá porque é nas camadas mais baixas onde é sentido mais o peso do aumento do custo de vida. Em outro ponto, é demonstrado que, para traduzir essa relação inflação/custo de vida, é no item alimentação que 89% sentiram no bolso a diferença do aumento de preços em fevereiro. A imunidade parlamentar para processos por crimes comuns é rechaçada por 90% dos entrevistados na pesquisa CNT/Vox Populi.
Apenas 6% dos entrevistados afirmaram que concordam que deputados acusados de crimes como assassinato e latrocínio não possam sofrer processos enquanto exercerem os mandatos.
Os aliados de FHC admitem que a crise está prejudicando o presidente. O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), avaliam que a baixa nos índices de avaliação do governo é cíclica e que os números voltarão a subir assim que o País retomar o crescimento. Ontem, o presidente FHC recebeu os dois no Palácio do Alvorada para avaliar a crise econômica.
Depois do almoço com FHC, Tasso fez uma previsão positiva para o País, a partir do próximo ano. Há expectativa é que o quadro é melhor hoje do que no ano passado, disse Jereissati. Segundo ele, em 1998 o Brasil vivia com uma âncora cambial que exigia uma taxa de juros elevada e ao mesmo tempo impedia um crescimento da economia superior a 1% ou 2% do PIB. Mas agora a expectativa de crescimento real a partir do próximo ano é de 6% ou 7%; e esse é o sentimento do presidente, disse Tasso. Para esse ano a expectativa é de fechar o ano com uma taxa negativa. Para Bornhausen, esse não é o momento para o presidente ficar preocupado com a popularidade. Assim que estabilizar a nova política econômica do governo a popularidade será retomada gradativamente, avaliou o pefelista.


