Brasília - Primeiro petista a cair devido à crise no Ministério dos Transportes, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento de Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, deixou o posto ontem defendendo a atuação da autarquia. Caron pediu demissão depois de o jornal ''O Estado de S. Paulo'' revelar sua atuação para liberar R$ 30 milhões para a construção de casas em Canoas (RS), cidade administrada pelo prefeito Jairo Jorge (PT). O dinheiro, no entanto, destinado a estradas. O contrato foi celebrado mesmo com pareceres contrários da Advocacia-Geral da União (AGU).
Caron saiu por pressão da presidente Dilma Rousseff. Ele tentou negociar sua permanência com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), mas a presidente Dilma mandou que saísse. Em entrevista, depois de entregar a carta de demissão ao ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes), Caron fez uma extensa defesa da gestão do Dnit e disse que as denúncias de irregularidades se devem ao volume de obras da autarquia. ''O Dnit melhorou muito. Com o volume de obras que temos, o nível de irregularidades que tivemos é muito pequeno''.
Questionado se concordava com a ''faxina'' feita pela presidente que já levou à saída de 17 pessoas da cúpula dos Transportes, o diretor afirmou que muitas das demissões eram ''desnecessárias''. Disse, porém, não guardar ressentimentos por entender que há uma decisão política de reestruturar a área. ''As circunstancias políticas estão levando a este epílogo. Isso é natural, não estou nem um pouco desanimado ou desiludido com isso''. Afirmou que ''não há nada de concreto'' nas denúncias veiculadas contra a cúpula da área e se colocou a disposição para ficar e ajudar numa ''transição'' no órgão.
Sobre a construção de casas em Canoas, Caron disse que a medida foi tomada para atender a obrigações previstas na licença da obra da rodovia BR-448. Afirmou que optou por realizar um convênio com a prefeitura para reduzir o preço da remoção de famílias que moram na chamada ''Vila do Dique''. Chegou ainda a chamar de ''altruísta'' o prefeito Jairo Jorge por ceder o terreno para a construção das casas.

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