Crise com MP ''foi superada''
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terça-feira, 23 de janeiro de 2001
De Curitiba 
O delegado Adauto Abreu de Oliveira disse ontem que os desentendimentos com os promotores da PIC estão superados. Desde o começo das investigações, houve divergências sobre os suspeitos que deveriam ser presos para averiguações. O pivô das desavenças foi o policial civil Mauro Canuto. Adauto disse que não havia provas para mantê-lo na prisão, mas os promotores conseguiram com que Canuto permanecesse na cadeia por mais cinco dias.
Outro motivo de atrito foi que Adauto não aprovou a decisão dos promotores de manter em segredo, por 10 dias, um relatório assinado pelo cabo João Sezipanski, do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco). Sezipanski diz no documento que o sargento Ademir Leite Cavalcante revelou, um dia depois do atentado, quem seriam os envolvidos no caso, citando Canuto e o advogado Antônio Pellizzetti.
Segundo o relatório de Sezipanski, Cavalcante fez as revelações durante um bate-boca. O cabo acusa o sargento de ameaçá-lo de morte depois de ter se recusado a prejudicar a investigação. Em vez de chegar às mãos de Adauto, o documento foi apresentado pelos promotores diretamente à Justiça no dia 10 deste mês. Nos bastidores da investigação, Adauto analisou a veracidade do relatório com muita cautela. Mas, a partir da quebra do sigilo telefônico dos envolvidos, ele reconheceu que parte do que Sezipanski falou pode ajudar na investigação, colocando Cavalcante novamente no caso.
Durante entrevista ontem à tarde, Adauto disse que as diferenças não existem mais. Posso assegurar que no início houve desentendimentos na maneira de trabalhar. Mas temos todo o apoio do Ministério Público para agilizar os mandados judiciais que precisamos. Aqueles desajustes ocorreram, talvez, na ânsia de resolver o problema, afirmou.
No MP, a versão oficial é de que nenhum desentendimento ocorreu. Desde ontem, os promotores Domingos Fonseca e Paulo Kessler passaram a acompanhar a investigação. Eles substituem Vani Bueno, Cláudia Martins e Fábio Guaragni. Segundo Adauto, trata-se de um revezamento entre os promotores que saem e entram em férias. (D.V.)


