Brasília - Uma crise envolvendo a Câmara, o Senado e a Casa Civil provocou ontem mais um atraso na tramitação do projeto orçamentário de 2004. O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e os integrantes da Mesa Diretora impediram a realização de uma sessão do Congresso que aprovaria a resolução negociada na véspera pelos líderes governistas, concedendo aos senadores de cada Estado a prerrogativa de apresentar três emendas de bancada.
A revolta da Câmara foi detonada por Cunha, irritado pelo fato de não ter sido mais uma vez consultado nas negociações patrocinadas pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu. Vários deputados da base aliada, como os líderes do PT, Nelson Pelegrino (BA), e do PMDB, Eunício Oliveira (CE), participaram da conversa no Planalto que fechou questão a favor da mudança na resolução do Congresso.
O recuo da Mesa da Câmara, que pediu vistas ao projeto de resolução, produziu uma reação ainda mais indignada dos senadores, que foram à Comissão Mista de Orçamento ameaçar paralisar a votação do projeto orçamentário. ''O presidente da Câmara está sabotando o projeto de resolução aprovado pelo Senado'', acusou o vice-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PTB-RN).
No fim da tarde, depois de uma reunião com Cunha, os líderes do governo anunciaram que haviam fechado o acordo, mas, até as 19 horas, não havia a confirmação do presidente da Câmara. Diante da confusão, o prazo para apresentação de emendas foi prorrogado de sexta-feira para dia 19.

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