Brasília - Sob efeito da crise econômica global, as avaliações do governo Lula e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colhidas pela pesquisa CNT/Sensus caíram em março, ante números de janeiro, para os menores níveis desde abril de 2008. Segundo levantamento, feito com dois mil entrevistados em 24 estados brasileiros, entre os dias 23 e 27 de março, a avaliação positiva do governo Lula caiu de 72,5% de janeiro para 62,4% em março. Em abril do ano passado, a aprovação era de 57,5%. Já a aprovação pessoal do presidente Lula teve um recuo de 84% em janeiro para 76,2% em março. Em abril de 2008, era de 69,3%.
''Essa queda basicamente é efeito da piora nas perspectivas para emprego e renda, mas ainda são porcentuais significativamente elevados'', disse o responsável pela pesquisa, o diretor da Sensus Ricardo Guedes.
Apesar da queda na aprovação do governo e do presidente, os patamares ainda são bem superiores aos verificados pela pesquisa no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no mesmo mês de um ano pré-eleições presidenciais. Em março de 2001, a avaliação positiva do governo FHC era de 33,3% e a avaliação positiva do presidente Fernando Henrique Cardoso era de 45,6%.
Apesar da queda da aprovação pessoal e de seu governo, o presidente Lula aumentou sua capacidade de transferência de votos. Segundo o levantamento, a parcela dos entrevistados que somente votaria em um candidato apoiado por Lula passou de 15,6% em dezembro para 21,5% em março. A taxa dos que não votariam em alguém que Lula indicasse também subiu, de 18,4% em dezembro para 20,3% em março.
Segundo Guedes, essa situação mostra que, embora tenha havido uma piora da avaliação do governo, a população começa a tomar partido e a entrar mais no clima da eleição. Uma prova disso, segundo ele, é o fato de que o porcentual dos que responderam na pesquisa espontânea que votariam em Lula para presidente caiu de 21,3% em janeiro para 16,2% em março.
De acordo com Guedes, essa maior transferência de votos do presidente pode ser notada também pelo crescimento das intenções de voto em Dilma Rousseff, que seria a candidata de Lula. (Leia quadro nesta página).

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