O pedido de demissão de dois funcionários de confiança da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) agrava a crise no Palácio Iguaçu. Ontem, fontes internas do governo davam como certa a demissão do procurador-geral Joel Coimbra, envolvido em denúncias de improbidade administrativa em Maringá.
Os funcionários José Anacleto Abduch Santos (diretor-geral da PGE) e Pedro Bispo (chefe de gabinete) teriam pedido exoneração do cargo no dia 6, véspera da viagem do governador Jaime Lerner aos EUA. Para evitar uma crise interna antecipada, secretários de Estado teriam pedido que eles permanecessem nos cargos até a volta do governador, prevista para o final da tarde de ontem.
Os dois funcionários condicionam a permanência nos cargos à exoneração de Coimbra. Eles estariam insatisfeitos, segundo fontes do Palácio, com a condução dos trabalhos do procurador. A gota d’água teria sido a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Maringá. O promotor José Aparecido Cruz pediu a indisponibilidade dos bens de Coimbra, da assessora dele Flávia Cerneiro Pereira e do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido) por improbidade administrativa.
A acusação é de que Flávia foi contratada irregularmente no período em que Coimbra foi deputado estadual, entre 1993 e 1996. Ela teria acumulado dois empregos, de assessora de Coimbra na Assembléia e de assessora de gabinete na gestão Gianoto. De 1995 a 1997, ela recebeu R$ 20,1 mil da Assembléia e R$ 42,3 mil da prefeitura. Ela teria atuado em campanhas e trabalharia de fato no escritório político de Coimbra, em Maringá. O promotor pede a devolução do valor pago pelo município que, atualizado, passaria dos R$ 74 mil.
Outra crise foi vivida por Coimbra em março deste ano, quando ele agrediu o professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Paulo César Mathias, com um tapa no rosto. A agressão ocorreu após um debate sobre ensino superior e a última greve ocorrida na instituição num programa para assinantes do canal fechado da TV Cidade. Na oportunidade, Coimbra pediu desculpas públicas e disse que apenas retribuiu as agressões que teria sofrido de Mathias.
Abduch Santos preferiu não comentar o assunto ontem. Ele disse que aguarda para amanhã uma decisão do governador Jaime Lerner. ‘‘É um assunto muito delicado e que eu prefiro não comentar por enquanto’’, afirmou ele, num rápido contato com a reportagem da Folha. Pedro Bispo também não quis falar sobre o pedido de exoneração. Apenas confirmou a intenção de deixar a PGE. ‘‘Este assunto é de competência exclusiva do governador’’, destacou Bispo.

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