Crise afasta Lula do presidente do STF
Brasília - Com as relações estremecidas, os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, faltaram ontem a cerimônias públicas para evitar um encontro, em mais uma demonstração de que o clima entre o chefe do Executivo e o do Judiciário não anda nada amistoso. Lula não foi à solenidade de comemoração dos 175 anos do STF alegando que estava com a agenda cheia. Corrêa não participou do almoço do Dia do Diplomata, no Itamaraty, com a justificativa de que estava organizando a festa do Supremo.
Poucas autoridades prestigiaram a cerimônia no STF, que teve grande quantidade de cadeiras vazias. O vice-presidente José Alencar, que representou Lula, chegou atrasado, quando o ministro Carlos Velloso já lia seu discurso sobre a história do STF. Além dele, estiveram presentes ao evento o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), o vice-presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), o advogado-geral da União, Alvaro Augusto Ribeiro Costa, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que tentou negar a existência do estranhamento entre Lula e Corrêa.
Os problemas de convivência entre os chefes do Executivo e do Judiciário começaram na posse de Corrêa na presidência do STF, em junho. Em seu discurso, o ministro atacou a reforma da Previdência diante de Lula. Outros problemas ocorreram ao longo das negociações para a aprovação da reforma. Pelo projeto inicial, assim como os servidores em geral, os juízes perderiam uma série de vantagens. Corrêa conseguiu garantir a manutenção de benefícios como a integralidade das aposentadorias dos atuais funcionários. A situação piorou no início deste mês, com a publicação, pela revista Veja, de entrevista na qual Corrêa fez uma série de críticas ao governo federal.





