Crise ACM-Jader pode refletir em 2002
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domingo, 04 de fevereiro de 2001
Lourival Santanna Agência Estado De Brasília 
A briga política travada entre o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA), provocou uma transformação significativa do cenário político do País e insinua reflexos na eleição de 2002. A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, além de render um possível acordo tático entre PFL e PT, pode ter selado uma aliança entre o PSDB e o PMDB que se estenda até a sucessão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), desalojando o PFL da coalizão de governo.
Esse é o temor da direção do PFL e a esperança da facção governista e majoritária do PMDB. Aparentemente, essa nova configuração independe até mesmo do imprevisível resultado da eleição na Câmara. Não que o PFL vá seguir seu candidato à presidência da Câmara, o pernambucano Inocêncio de Oliveira, na promessa exuberante e isolada de ir para a oposição.
Ao que tudo indica, nos próximos dois anos o PFL continuará sendo partido do governo. Para a eleição presidencial, no entanto, parece que os vértices do triângulo formado pelo PSDB, PFL e PMDB mudaram de lugar. Jogamos o PSDB e o PMDB na mesma cama, lamenta uma fonte do PFL. E o mais dramático é que esse acerto pode estender-se para 2002, com o PFL deixando de ser parceiro preferencial na coligação.
Por um direito quase monárquico, derivado da liderança e sucesso de Fernando Henrique, o candidato do governo a presidente sairá do PSDB. Depois do pacto estratégico que lançou Jader à presidência do Senado e Aécio Neves (PSDB-MG) à da Câmara, o PMDB tende a preencher a vaga de vice-presidente, ocupada nos mandatos anteriores pelo PFL de Marco Maciel.
Hoje, o motivo desse deslocamento parece eminentemente pessoal, se não fortuito: a rivalidade de Jader e de ACM. O senador baiano antecipou que não aceitaria o colega paraense como sucessor, indiretamente obrigando o partido de Jader, o PMDB, a sustentar sua candidatura, numa reação à ingerência. Mas essa é só a feição circunstancial da disputa por espaço vital no interior da coalizão. O triângulo não se encaixa na geometria dos poderes, composta por pares de vértices: o presidente da República e o vice; os presidentes da Câmara e do Senado.
O PFL reconhece que o momento requer dose extra de frieza. A grande questão é como se compõe o quadro para 2002, diz um estrategista do partido. Se chegarmos a setembro com isso indefinido, ficaremos muito enfraquecidos. ACM, o protagonista da crise, se recolherá gradualmente à política regional depois de deixar a presidência do Senado, candidatando-se ao governo da Bahia em 2002. Mesmo com seu perfil reduzido, o senador continuará à frente de uma bancada de 20 deputados baianos pefelistas, que representam 20% da bancada do partido.
Inocêncio, silenciado pela direção do partido, depois de acenar, na quinta-feira, com uma CPI da privatização promovida pelo governo, para conquistar o apoio da esquerda, terá de reajustar a retórica. Se eleito presidente da Câmara, deve concentrar-se no ofício que o notabilizou em sua gestão anterior (1993-94): o atendimento das reivindicações dos deputados.


