O afastamento do prefeito Antonio Belinati (PFL), ocorrido ontem à tarde, abriu uma disputa interna na Câmara de Londrina. Vereadores brigam para assumir a vice-presidência. O cargo está sendo assediado porque, com Jorge Scaff (PSB) respondendo pela Prefeitura de Londrina, o novo vice, na prática, atuará como presidente do Legislativo.
No início da noite, já havia quatro candidatos declarados ao cargo: Elza Correia (PMDB), Célio Guergoletto (PMDB), Adalberto Pereira (PFL) e Salvador Francisco (PSB). Existe ainda a possibilidade de que, na sessão de hoje à tarde, quando deverá ser realizada a eleição, surjam novos nomes. O assunto ainda será discutido de manhã, em reunião com todos os vereadores.
‘‘Já fui presidente do Legislativo e acho que tenho todas as condições para enfrentar esse desafio’’, afirmou Adalberto. Ele acrescentou que seria importante que tanto Scaff, na prefeitura, quanto o novo vice-presidente da Câmara possam ter tempo para trabalhar com tranquilidade. ‘‘Não adianta o Scaff entrar hoje e sair amanhã. Existem outras ações que poderão ser propostas pelo Ministério Público e é importante que o Belinati continue afastado’’, afirmou.
Guergoletto também está de olho no cargo. Ele lembrou que foi candidato a presidente na última eleição, em 1999, quando obteve 10 votos. ‘‘Isso prova que tenho liderança aqui dentro; só não venci por causa do bloco de apoio ao prefeito’’, afirmou. Elza Correia (PMDB) completou: ‘‘Já ouvi que outros colegas estão declarando a disposição de participar da eleição e eu também me coloco como candidata. Até pode ser uma disputa acirrada, mas serena.’’
A vice-presidência da Câmara é alvo ainda de Salvador. Ele observou, porém, que é presidente da Comissão Processante (CP) que avalia irregularidades na venda das ações da Sercomtel e, por isso, irá analisar se essa condição provoca algum impedimento.
Ontem à noite, a bancada do PSDB iria trocar telefonemas para saber se lança um candidato do partido. O tucano Tercílio Turini afirmou que inicialmente não tem interesse na disputa, mas pode até aceitar o desafio. Ele disse considerar ‘‘saudável’’ a disputa. ‘‘O grupo é heterogêneo e isso é normal. Lógico que os candidatos irão fazer contatos, reavaliar as chances, e é possível até que na hora tenha somente dois candidatos.’’
Para ser eleito, ainda segundo Turini, o candidato ao cargo deverá ter no mínimo 11 votos. Por isso, no caso de haver mais de dois candidatos e nenhum deles atingir o mínimo exigido, é possível que a eleição seja decidida num segundo turno. Salvador Francisco disse entender que, pelo Regimento Interno, a votação deverá ser feita na sessão seguinte ao dia da renúncia do presidente. Neste caso, ocorreria na próxima terça-feira. O voto é aberto.

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