Lúcio Horta
De Londrina
O Instituto de Criminalística de Londrina recebeu ontem, no final da tarde, duas fitas de áudio e outras duas de vídeo que teriam registrado uma ‘‘negociação’’ entre o prefeito Antonio Belinati (PFL) e dois vereadores para barrar a formação de uma Comissão Processante na Câmara. Os vereadores são Orlando Bonilha (PDT) e Jaci Aguiar (PPB) e a conversa teria ocorrido no dia 28 de fevereiro, um dia antes da votação de uma CP que pode cassar o mandato do prefeito.
As fitas foram enviadas pelo próprio prefeito, atendendo determinação do Ministério Público. Na semana passada Belinati já havia encaminhado outras fitas ao Ministério Público – uma de vídeo, outra de áudio e um CD –, mas o Instituto de Criminalística concluiu que o material era cópia. Por isso, foram solicitadas as fitas originais.
No ofício endereçado ao Ministério Público, de número 264/200, o prefeito garante que desta vez as fitas são originais e contêm ‘‘provas de ilícitos praticados pelos vereadores’’.
Assim que receberam o material, os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin – que investigam, juntamente com o promotor Bruno Galatti, o desvio de pelo menos R$ 16 milhões da prefeitura de Londrina – encaminharam para análise da Criminalística.
Cláudio Esteves explicou que espera com a perícia verificar a autenticidade das fitas – se elas são de fato originais, sem corte ou trucagem – e o conteúdo de cada uma. O promotor aguarda também o envio de outras fitas, envolvendo outros vereadores, como o próprio Belinati declarou à imprensa possuir.
O perito Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, chefe-adjunto da Criminalística, revelou que a gravação em CD encaminhada anteriormente ao instituto apresentava anormalidades. Ele explica que eram diversos cortes que podem ter sido provocados por gravação ruim, trucagem, edição de fita ou clicagem. Gonçalves avalia que em 10 dias a perícia esteja concluída.

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