Criminalística analisa material da UEL
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segunda-feira, 18 de junho de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O Instituto de Criminalística (IC) de Londrina começou a analisar ontem 348 fotos, 17 fitas de vídeo e 33 fitas cassete recolhidas semana passada pelo Ministério Público (MP) na reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os pacotes, que estavam numa caixa, foram abertos ontem de manhã no 3º Distrito Policial (DP) e segundo o chefe-adjunto do IC, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, a análise deve ser concluída em dez dias. A documentação foi recolhida a pedido do ex-vice-reitor Marcio Almeida, que renunciou no dia 13, denunciando corrupção na reitoria.
Nas fotos, o reitor Jackson Proença Testa aparece em diversas solenidades, inclusive ao lado do governador Jaime Lerner (PFL). Curiosamente, havia uma fita de vídeo, cuja etiqueta (datada de 26 de agosto de 1999) indica que seria cópia de um depoimento do ex-secretário de Governo da Prefeitura Wilson Mandelli. Ele é acusado de envolvimento no desvio de recursos públicos durante a administração de Antonio Belinati (sem partido).
Encaminharemos esse material aos setores de Fonética Forense, Imagem e Documentoscopia (da Polícia Civi), que farão o exame e providenciarão os laudos, explicou Gonçalves Filho, que esteve acompanhado do chefe do Instituto de Criminalística, Darci Doria de Faria.
O assessor jurídico da UEL, Júlio Roehrig, também acompanhou a abertura dos pacotes. Na sua avaliação, não se trata de material pessoal do chefe de gabinete da reitoria, Itaicy Mendonça, apesar do nome dele constar das embalagens.
Itaicy foi acusado pelo ex-vice-reitor de pedir comissão a empresas que prestam serviços à UEL, em nome dele e em nome do reitor. O apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá, também acusou o chefe de gabinete (que está afastado) de superfaturar um contrato publicitário da UEL.
Roehrig não acredita que as fitas cassetes possam conter conversas oriundas de escutas telefônicas comprometendo Itaicy, como sugeriu Almeida. Ele também questionou as acusações contra a administração da UEL. A universidade está sendo muito exposta por meras presunções. Estão desrespeitando uma universidade que tem uma tradição de 30 anos de ótimos serviços prestados à comunidade, comentou. Vamos analisar as providências legais, dessa vez parece que as coisas estão passando do limite.
O delegado do 3º DP, Carlos Sakuma, que investiga o furto de computadores na reitoria da UEL, vai chamar Almeida para prestar depoimento. Sakuma quer detalhes sobre as declarações do ex-vice-reitor de que parentes de Itaicy teriam apagado informações de um dos computadores furtados da reitoria.
O ex-vice-reitor Almeida também deve ser chamado para prestar depoimento ao MP, que investiga as denúncias contra Itaicy. A comissão de investigação, criada pelo Conselho Universitário para apurar as denúncias de corrupção, também pretende ouvir o ex-vice-reitor.
O reitor encaminhou ontem ao Conselho Universitário uma portaria designando o diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), Mauro Ticianelli, como o novo vice-reitor. Segundo a assessoria de imprensa da UEL, o Regimento Interno determina que a partir da segunda metade do mandato, em caso de renúncia, cabe ao reitor a escolha do vice, que exercerá o cargo até o final do mandato. (Colaborou Cristiane Oya)


