Crimes durante a ditadura fazem embaixador chorar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Sandra Sato Agência Estado 
A lembrança de torturas e assassinatos ocorridas no Chile durante o governo de Augusto Pinochet, fez o embaixador britânico no Brasil, Donald Keith Haskel, quebrar o protocolo ontem e chorar diante de lideranças na Câmara dos partidos PT, PC do B e PSB, que o visitavam.
Lembro-me de histórias muito tristes, de torturas de adultos e crianças, desabafou com a voz embargada, quando as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. O embaixador estava no Chile entre 1975 e 1978 como encarregado de Negócios de seu País.Foi um tempo muito, muito duro, disse o embaixador sem querer antecipar qual será a decisão do governo britânico em relação ao pedido da Espanha de extradição do ditador. Apenas comentou ser tradição de seu governo defender os direitos humanos.
Fiquei surpreso. Se considerar que diplomacia é arte de ocultar sentimentos, a reação do embaixador revela a dramaticidade da ditadura chilena, reagiu o líder do PT, Marcelo Deda (SE), que assinou o documento conjunto dos partidos de oposição comentando que a prisão do ditador é um passo para se fixar a noção de crime imprescritível contra a humanidade.


