Os deputados da CPI do Narcotráfico acreditam ter encontrado ontem, no primeiro de trabalho no Estado, o fio da meada da Conexão Paraná, que comanda o crime organizado no Estado, revelando criminosos com porte semelhante ao ex-deputado Hildebrando Pascoal, que chefiava o crime no Acre e é acusado de diversos homicídios. A expectativa de integrantes da CPI é de que pelo menos dez prisões sejam feitas até as 19 horas de quinta-feira, quando os parlamentares encerram as atividades. Duas pessoas seriam presas ainda ontem, segundo o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que deve ser designado o sub-relator da CPI no Paraná. A previsão era de que os depoimentos terminassem por volta das 4 horas da madrugada de hoje.
‘‘Não tenho dúvida que iremos encontrar crimes na mesma linha de ex-deputado Hildebrando Pascoal, até porque o modus operandis das quadrilhas no Brasil é o mesmo’’, comparou Mattos. Na avaliação do deputado, os crimes começam com o roubo de carros, depois roubo de caminhão, que era trocado por droga em Bolívia e Paraguai.
‘‘A droga gerou dinheiro e implementou de vez o crime organizado’’, afirmou. ‘‘Aí veio a lavagem do dinheiro, e como último crime a inserção no poder. Ou seja, ora comprando autoriade, ora usando dinheiro para constituir autoridade e garantir a impunidade. Assim o narcotráfico age no País e não é diferente no Paraná.’’
Mattos disse que os chefes do crime organizado no Estado não conseguiram esconder todos os indícios das operações, como teria ocorrido em Campinas (SP). ‘‘No Paraná, eles esconderam o rastro, mas alguns sinais ficaram’’, afirmou. ‘‘Tanto é assim que nós pegamos o fio da meada do crime organizado no Estado. Vamos desenrolar o fio por que temos nomes, temos pessoas e temos fatos.’’
Após uma tarde de trabalho conturbada, o deputado gaúcho disse ontem acreditar que as revelações da CPI deverão surpreender a sociedade. Para ele, a Conexão Paraná é mais perigosa e violenta que a Conexão Suriname, que ainda está sob investigação da comissão parlamentar. ‘‘A Conexão Suriname anda tão tranquila que não precisa matar ninguém. A diferença é que o narcotráfico no Paraná mata e matou muita gente.’’ Mattos afirmou que, quando não convém aos traficantes do Estado manter uma pessoa viva, eles não exitam em matar. ‘‘Eles matam até dos deles’’, disse.
Apesar de confirmar a investigação em relação a um deputado estadual, que seria ligado ao narcotráfico, Mattos se negou a revelar nome. Ele argumentou que, para a CPI, não interessa os nomes. ‘‘Pode ser deputado ou o que for. Já nos deparamos com juiz, desembargador. Para nós interessa os fatos. Se tiver fatos, não interessa se é deputado ou não’’, disse. ‘‘Não perdoamos os nossos. Por que vamos perdoar os dos outros?’’
A princípio, seriam ouvidos ontem nove suspeitos de ligação com o narcotráfico e cinco testemunhas. Avaliações feitas pouco antes do início da tomada de depoimentos levaram a CPI para outros três nomes: duas novas testemunhas e mais um suspeito. ‘‘Estamos reescalonando a importância dos depoimentos’’, disse o deputado Padre Roque Zimmermann (PT), único deputado paranaense a integrar a comissão parlamentar.

Quem veio
- Magno Malta (PTB-ES) – presidente
- Moroni Torgan (PFL–CE) – relator
- Laura Carneiro (PFL-RJ)
- Heber Silva (PDT-RJ)
- Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ)
- Lino Rossi (PMDB-RS)
- Wanderley Martins (PDT-RS)
- Roque Zimmermann (PT-PR)
- Celso Russomanno (PPB-SP)
- Robson Tuma (PFL-SP) (Chega hoje)