Crime da Mega-Sena distante de solução
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Um ano e meio depois de ganhar um prêmio de R$ 16 milhões na Mega-Sena junto com 12 colegas, Altair Aparecido dos Santos, 44 anos, foi morto com um tiro no peito em Limeira, interior de São Paulo. O crime ocorreu há uma semana, na noite de 16 de novembro, após um churrasco realizado na chácara da vítima.
Até o momento, a polícia parece distante de chegar à solução do crime. Um aposentado que teria ameaçado Altair era o principal suspeito, mas apresentou álibi e acabou liberado. O grupo de amigos fazia apostas semanalmente, mas quando saiu o bilhete premiado, dois não haviam pago o bolão e ficaram sem o prêmio.
A reportagem da FOLHA conversou com exclusividade com o pai da vítima, Vanadir dos Santos, que estava na chácara no momento do crime.
Vanadir mora em Uraí, no norte do Paraná, de onde Altair Aparecido dos Santos saiu para fazer a vida no interior de São Paulo, trabalhando como encarregado de expedição em uma metalúrgica e em uma escola. Depois que ganhou o prêmio, Altair virou sócio de um estacionamento e de uma pequena fábrica de cestos de lixo e outros objetos. Ele até havia cogitado voltar para Uraí, mas como os investimentos estavam dando certo no interior paulista, desistiu da idéia.
Durante a conversa ao telefone, Vanadir se mostrou muito abalado com o crime. Com respostas curtas, afirmou apenas que a família está revoltada com o que aconteceu e infelizmente não pode colaborar com as investigações. A gente não tem nem idéia de quem pode ter feito uma coisa dessas. Um outro filho e a nora de Vanadir ficaram em Limeira para acompanhar o trabalho da polícia.
Esclarecimentos
- A FOLHA ouviu ainda Antônio Marcos Galvão, cunhado de Altair, que também participava do churrasco no dia do crime. Ele fez questão de ressaltar que Altair mantinha o jeito humilde, e não esbanjava dinheiro ao fazer várias festas como um dos acusados do crime havia declarado. Ele era até pão duro.
Sobre a polêmica do bolão da Mega-Sena, Galvão diz que a iniciativa de fazer um acordo para que os dois que haviam ficado de fora da aposta também recebessem uma parte do prêmio surgiu do próprio Altair. Ele viu os dois reclamando do prêmio em reportagem do Fantástico e fez questão de procurá-los para fazer acordo, porque não queria ser taxado de desonesto.
Antônio Marcos afirma que a família está muito abalada com o crime, principalmente o pai da vítima. Ele pega os objetos e começa a lembrar do filho, principalmente quando passa futebol na TV, já que ele era palmeirense fanático.
A viúva de Altair, Maria Isabel Caro, além de lidar com a perda do marido, enfrenta acusações de que teria participação no crime. Ela está arrasada, principalmente com a imprensa a colocando como principal suspeita. Quem não tem um seguro de vida hoje em dia? Nós nem sabemos o valor do seguro, além disso o único beneficiário é o filho, argumenta Galvão, que acredita na solução do crime: confio no trabalho da Justiça, finaliza.


