O humor e a sátira ferina de crianças e adolescentes não poupam nem o programa eleitoral gratuito na televisão, mesmo que eles ainda não tenham alcançado a idade permitida para votar. Anteontem em Curitiba, um grupo de alunos de sociologia, que frequenta o ensino médio e fundamental de uma escola particular da cidade, apresentaram aos pais e colegas as suas impressões sobre os candidatos que disputam a eleição municipal. Houve espaço para mensagens sérias sobre a importância do voto, mas os teens preferiram – como eles mesmo dizem – ‘‘zoar’’ com os candidatos.
Como ficar indiferente às propostas do impagável ‘‘partido TPM – o partido que trabalha pela mulher’’ ? A principal proposta das quatro ‘‘candidatas’’ do TPM é simples e direta: levar os homens para trás do fogão, para que a mulher tenha tempo de ir ao shopping fazer compras. ‘‘Lemy Cherry’’, ‘‘Pilpa no Limite’’, ‘‘Mary Lu’’, La Cherry’’ e ‘‘Gauchique’’ – todas da sexta série – também pretendem colocar asfalto cor-de-rosa nas ruas da cidade, mudar os penteados dos motoristas de ônibus e trocar o ‘‘modelito básico’’ dos garis.
Durante a apresentação dos alunos foi possível observar ‘‘Cassio Yakult’’ atropelar os outros candidatos que estavam ‘‘assaltando’’ o Banco do Povo. Nem mesmo um ‘‘Ângelo Vanhoni, do Partido do Skate Sempre Andando na Frente’’ escapou do ‘‘metrô japonês’’. ‘‘Minhas propostas seriam as mesmas (de Vanhoni), mas com a diferença de construir mais pistas de skate’’, argumentou Francisco Rômulo Bogusiak, 13 anos, que representou o candidato do PT.
‘‘Assisto ao horário eleitoral porque é engraçado. A gente leva mais a sério e presta mais atenção nos candidatos que falam mais a verdade, como o Taniguchi, Vanhoni e o Forte (Luiz Forte Netto, do PSDB)’’, assegura José Leonardo Mendes, 14 anos, que mediou um debate entre candidatos fictícios. Escutar ‘‘a verdade’’ foi o pedido de um grupo de meninas da oitava série. No programa do ‘‘Partido Honesto do Brasil’’ havia até um ‘‘detector de mentiras de candidato’’, que se manifestava a cada proposta exagerada. Como a da candidata do ‘‘Partido dos Picaretas’’, que propôs a dolarização da economia curitibana.
‘‘Ainda não estou em idade de votar, mas dá para perceber que tem muitos candidatos com propostas que não vão cumprir. Tem vereador que quer se eleger apenas para ganhar dinheiro’’, indigna-se Jacqueline Marques Froguer, 14 anos, que representou o detector de mentiras. ‘‘Uma discussão como essa é fundamental porque leva as crianças a exercer a cidadania’’, elogiou a psicóloga Katie Mara Ferrarini, que foi à escola para acompanhar o desempenho da filha de 11 anos.

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