Brasília - O Senado criou ontem a nova CPI dos Cartões Corporativos, que será integrada por 11 senadores. Após forte pressão da oposição, o requerimento de criação foi lido pelo senador Efraim Morais (DEM-PB), primeiro-secretário da Casa Legislativa. A decisão de criar a nova CPI foi tomada depois de uma reunião de duas horas conduzida pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), com líderes da oposição e da base aliada. Diferentemente da CPI mista (formada por deputados e senadores) que já está em funcionamento, a nova comissão deve funcionar só no Senado - onde o governo não tem maioria, como na Câmara.
Garibaldi chegou a reunir lideranças da oposição e da base governista num almoço para tentar chegar a um acordo que impedisse a criação da segunda CPI. Sem consenso entre as partes, Garibaldi leu o requerimento contrariado.
A base aliada do governo vai reivindicar a presidência e a relatoria da CPI dos Cartões do Senado. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), disse que a oposição rompeu o acordo de criação da CPI mista - que entregava a presidência da comissão para a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) em troca da instalação de uma única CPI. Com a quebra do acordo, Raupp disse que os governistas vão brigar pelos postos de comando da nova CPI. ''Será que interessa ao Senado ficarmos trabalhando somente em investigação? Há outros órgãos para investigar, como a Polícia Federal, o Ministério da Justiça, o Tribunal de Contas.''
Já o líder da minoria, Demóstenes Torres (DEM-GO), que falou em nome da oposição, disse que os oposicionistas fazem questão de indicar o presidente ou o relator da CPI a ser criada.
Dilma se cala
Já a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que não vai falar sobre o vazamento do dossiê com informações dos gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de ex-ministros da gestão tucana enquanto o caso estiver sob investigação. A Polícia Federal (PF), que determinou anteontem a abertura de um inquérito para apurar o vazamento do dossiê, apreendeu ontem os seis computadores da Casa Civil supostamente usados para montar o dossiê com os gastos com cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Os cinco lap tops e um computador de mesa serão periciados pela Superintendência Regional da PF de Brasília com o apoio técnico do Instituto Nacional de Criminalística (INC). Nunca a PF chegou tão perto do gabinete presidencial ocupado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa investigação.

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