Curitiba - A possibilidade de criação da Região Metropolitana (RM) de Ponta Grossa, ou dos Campos Gerais, como alguns têm chamado, está gerando acaloradas discussões na região. Pela proposição, municípios que fazem limite com Ponta Grossa, como Castro, Carambeí, Palmeira e Ipiranga poderiam integrar a RM, em um total de 14 municípios. Mas há resistências à ideia. Para debater o tema, hoje pela manhã acontece uma audiência pública na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná com os principais envolvidos.
Uma das instituições que apoia a criação da RM é a Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), que possui um estudo detalhado sobre a questão. Entre as vantagens apontadas pela formação de uma RM é deixar de pagar ligação interurbana entre as cidades, a integração do transporte e a diferenciação na cobrança do pedágio entre os municípios inegrantes.
De acordo com um dos deputados estaduais que representa a região, Plauto Miró (DEM), todos os lados serão ouvidos antes de se pensar em propor um projeto de lei para criar a RM. ''No passado foi apresentado um projeto similar, mas o então governador Roberto Requião (PMDB) vetou. Agora é um novo momento, abre-se uma discussão mais ampla'', afirma o parlamentar. Mesmo depois desse veto de Requião, a tentativa de se criar a RM voltou a ser apresentada por deputados que representam a região em outras oportunidades dentro da AL, ao longo dos últimos anos. Até agora, não deu certo.
A oposição mais ferrenha para a criação da RM dos Campos Gerais vem do município de Castro. ''A população não quer. Não existe vantagem para nós, vamos perder parte da soberania'', diz o presidente da Câmara de Vereadores de Castro, Joel Elias Fadel. Um encontro neste fim de semana estava marcado para debater a proposta na cidade, antes que se tomasse uma posição definitiva para a audiência pública que a AL promove hoje. Essa resistência remonta ao passado, uma vez que Ponta Grossa fazia parte de Castro e foi desmembrado, no século XIX.
Houve um manifesto público do Fórum de Entidades (que reúne instituições da sociedade civil organizada de Castro) pelo repúdio ''a qualquer proposta ante a Assembleia Legislativa do Paraná da descabida instituição por lei complementar da Região Metropolitana de Ponta Grossa, com esta ou qualquer outra denominação que venha a ter'', sob os argumentos de que não há interesse metropolitano na comunidade de Castro e pelo não reconhecimento de uma RM de fato na microrregião à qual Castro geograficamente pertence.
Por conta da discussão, sete vereadores de Castro encaminharam requerimento ao governo do Estado e à AL com a manifestação contrária à inclusão de Castro na RM de Ponta Grossa. ''É a terceira vez que os deputados estaduais de Ponta Grossa vêm tentar a criação da RM de Ponta Grossa, fato este que em nada ajudaria nossa município de Castro, pelo contrário, vemos isso como uma ingerência administrativa em nossa autonomia, além de canalização de recursos para a cidade-polo, no caso a cidade de Ponta Grossa'', diz trecho do documento.

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