Criação de CPI dos Grampos será protocolada hoje na Assembleia
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2011
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná recebe hoje o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar escutas telefônicas que ocorriam na Casa. De acordo com o deputado que propôs a CPI, Marcelo Rangel (PPS), além de apurar os responsáveis pela instalação dos grampos, também serão questionadas a motivação e as consequências decorrentes da espionagem. Depois de instalada, a comissão terá 120 dias, prorrogáveis por mais 60, para encerrar os trabalhos.
Rangel conseguiu no plenário 20 assinaturas - eram necessárias no mínimo 18 - para poder protocolar o requerimento junto à Mesa. Segundo ele, não será preciso votar a abertura da CPI que deve iniciar os trabalhos após a indicação dos seus membros. A comissão será integrada por 11 membros que serão definidos conforme a representação dos partidos e blocos. Tradicionalmente quem propõe torna-se o presidente da comissão.
De acordo com Rangel, enquanto a polícia deve ficar com a investigação da autoria dos crimes, os deputados estaduais procurarão a motivação política das escutas telefônicas. ''Queremos saber se essas informações foram usadas, por exemplo, para fazer chantagens contra parlamentares. Acredito que se algum deputado foi achacado não terá problema em abrir o jogo a fim de que tudo seja apurado.''
Ele diz que vai trabalhar com todas as possibilidades, inclusive de que os interessados em grampear os telefones tenham ligação com a Diretoria anterior da Casa - no caso, o ex-diretor-geral Abib Miguel - ou mesmo com o Poder Executivo ou com o meio empresarial.
Segundo o presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), os técnicos que encontraram os aparelhos de escuta telefônica disseram que a instalação ocorreu nos últimos 30 dias. Ele disse que irá receber o pedido de abertura da CPI e acatá-lo se estiver de acordo com o regimento, mas não quis dar uma opinião sobre a necessidade de uma investigação ser feita pelos parlamentares. ''Esse assunto de crime está entregue à polícia, eu não vou me ocupar disso'', desconversou.
Os aparelhos foram encontrados na último final de semana em uma varredura realizada por técnicos da empresa Embrasil. A AL fez um contrato emergencial - sem licitação - com a empresa de vigilância especificamente para fazer essa busca no prédio do Legislativo estadual. A Comunicação da Assembleia não soube informar detalhes, mas afirma que o valor do contrato é abaixo de R$ 30 mil.
O governador Beto Richa (PSDB), que se reuniu no fim da tarde com os membros da Mesa Executiva da Assembleia, descartou a existência de escutas telefônicas no prédio do governo do Estado.


