Criação de cartórios gera polêmica
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domingo, 30 de dezembro de 2001
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba A criação de novos cartórios no Estado, proposta na versão atualizada no Código de Organização e Divisão Judiciária (CODJ), gerou polêmica entre setores ligados ao Poder Judiciário e adiou a votação da matéria na Assembléia Legislativa (AL) para o próximo ano. O Tribunal de Justiça (TJ) tem pressa em implementar as mudanças, que incluem também mais vagas para desembargadores e juízes.
A coordenadora do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná (Sindijus), Roseli Colussi, considera importante a elaboração do novo código, mas reclama que o anteprojeto feito pelo TJ e encaminhado à Assembléia no mês passado não foi discutido com a sociedade. Segundo ela, a elaboração do texto foi ''secreta'' e ficou restrita aos desembargadores.
''Os cartórios são altamente lucrativos, é uma exploração particular do serviço público'', entende Roseli. Ela está preocupada com a estrutura que será necessária para o aumento de cartórios. ''Isso precisa ser analisado com atenção. Queremos debater o assunto com os deputados, e apresentar sugestões'', completou.
Mesmo sem ainda terem sido aprovados o governador Jaime Lerner (PFL) precisa sancionar a lei, depois que ela passar pela Assembléia os novos cartórios já são motivo de disputa. Nos bastidores, pessoas ligadas à área articulam em busca de espaço. O deputado Moysés Leônidas (PPB) sugeriu a criação da CPI dos Cartórios para investigar o setor. ''Para mim, só existem duas classes: os que são donos de cartório e os que querem ser'', protestou o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), que é cartorário.
Roseli levanta a questão: como alguns deputados estaduais são cartorários, ela teme que isso interfira na votação do anteprojeto. ''A população deve ficar atenta ao comportamento desses deputados'', avisou. É o caso dos deputados Basílio Zanusso (PFL), Caíto Quintana (PMDB), além de Brandão.
''Sou cartorário desde muito antes de me eleger deputado. Não há nada de errado com isso. E se tem gente reclamando é porque deve querer cartório também'', rebateu Brandão. Segundo ele, a Assembléia vai defender os interesses do Judiciário e dos cartorários, ao analisar o texto, assim como defende os interesses de outros setores. Brandão avalia ainda que é necessário a ampliação do Poder Judiciário e do número de cartórios.


