A criação da Agência Reguladora de Serviços de Londrina (Arselon), proposta do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) que tramita na Câmara de Vereadores, deixa os servidores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ressabiados em relação à estabilidade de seus empregos. Eles temem um esvaziamento da companhia com a criação da agência.
Segundo o prefeito, a proposta é desafogar a CMTU ao transferir para a Arselon o controle e a supervisão de serviços como o de água e esgoto, iluminação pública e coleta de lixo, entre outros. Na última sessão da CML, os vereadores acataram pedido para marcar uma audiência pública para discutir o assunto com a sociedade, conforme parecer prévio da Comissão de Administração, Serviços Públicos e Fiscalização.
Porém, antes mesmo desta proposta, servidores da CMTU haviam procurado os vereadores para expor suas preocupações. A principal delas é que o texto não deixa claro quais atribuições terá a Arselon, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização (SindiUrbano) do Estado do Paraná, Valdir Mestriner. "Queremos saber se vai ter interferência nas atividades da CMTU e, se houver, quais serão e com qual intensidade", explica ele acerca do pedido de reuniões para debater o projeto.
A preocupação é que, atualmente, a CMTU é remunerada pelas atividades que exerce e, sem esses serviços, o temor é que o quadro de servidores tenha de ser reduzido. Representante do SindiUrbano em Londrina, Elza Yuriko Hirosse ressalta que o projeto de lei autoriza a cessão de servidores da companhia para a agência municipal para efetuar os serviços até que um concurso público seja feito para preencher as vagas necessárias. "O efetivo da CMTU já é pequeno", alerta.
Além disso, os salários dos cedidos continuará sendo pago pela companhia. "Qual a garantia de que esses funcionários voltarão a executar as mesmas funções ao retornar para a CMTU? A gente entende que é uma forma de esvaziar a empresa", diz Elza.
No início da semana, Kireeff garantiu que não haverá prejuízos para os servidores da CMTU com a criação da Arselon e que a empresa será voltada exclusivamente para cuidar de saneamento básico, iluminação e coleta de lixo. "O trânsito será função primordial da companhia", garante o prefeito.

A PASSOS LENTOS
O projeto de lei que cria a Arselon, retirado novamente por tempo indeterminado para realização de audiência pública, tramita desde setembro do ano passado, mas foi suspenso pela primeira vez a pedido do então líder do governo, Professor Fabinho (PPS). Voltou a andar em agosto deste ano, por solicitação do prefeito, que ainda pediu urgência no trâmite.
Kireeff justificou a pressa porque a administração municipal negocia a renovação de contrato com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para a exploração do serviço no município. "Não sei quanto tempo isso vai levar", afirma.
Ele disse ainda que todos os pedidos de urgência são justificados, quando os prazos são curtos e extrapolam a competência do Executivo, como a necessidade de um convênio para repasse de verbas federais.

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