Crescimento econômico é fundamental para investimento na área social
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de setembro de 2002
Silvio Bressan<BR>Agência Estado 
A troca de promessas por metas e a dependência quase total do crescimento econômico marcam a agenda social dos principais candidatos à Presidência. Tamanho pragamatismo seria elogiável, não fosse o contraste entre o excesso de bordões e a falta de propostas criativas para superar os limites do Orçamento. Expressões como ''erradicação do analfabetismo'' estão em todas as propostas e soam bonito, mas não passarão de palavras vazias se a economia brasileira não apresentar um crescimento satisfatório.
Esta, pelo menos, é a avaliação do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). ''A economia tomou conta do debate, o que é compreensível, mas a área social não pode ficar só na dependência do seu crescimento'', adverte o economista. ''Como os limites para esse crescimento são muito grandes e dependem de fatores externos, seria melhor que os candidatos deixassem claro formas alternativas para enfrentar os problemas sociais'', considera Neri.
Ele também lamenta que os temas sociais, tão citados no início da campanha, tenham ficado em segundo plano no horário eleitoral gratuito. ''O social foi trocado pelo emprego, que é uma parte importante mas não resume todo o problema social, e pela segurança'', constata Neri. ''Na hora de decidir seu voto, o eleitor está sem saber o que e como, de fato, cada candidato fará por essa área.''
Por essa razão e pela importância do tema, a Agência Estado resolveu abordar novamente os candidatos sobre educação, saúde, educação, previdência, assistência social/combate à fome, emprego, saneamento/habitação e agricultura/reforma agrária. De uma forma geral, todos pretendem ampliar o Sistema Único de Saúde (SUS), reduzir a mortalidade infantil, erradicar o analfabetismo e criar milhares de empregos.
Existem algumas diferenças pontuais, como a manutenção da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), que Anthony Garotinho (PSB) quer extinguir e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fala em reduzir. José Serra (PSDB) e Ciro Gomes (PPS) concordam em trocar o vestibular por um sistema de avaliação, mas enquanto o tucano desfila números (1,5 milhão de casas por ano e 8 milhões de empregos), Ciro critica a fixação de metas ambiciosas, que considera ''demagógicas''.


