Curitiba - O ministro de Orçamento, Gestão e Planejamento, Paulo Bernardo, defendeu ontem a manutenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) sob pena de o Brasil voltar a enfrentar a escala crescente da inflação e deixar de investir em programas de desenvolvimento sustentável. ''Não tem como imaginar que o Brasil poderá continuar crescendo, se ele deixar de ter nos seus cofres o montante recolhido pela CPMF'', afirmou o ministro, que esteve ontem em Curitiba onde participou das comemorações dos 60 anos do Tribunal de Contas (TC) do Paraná. Hoje, a CPMF representa 9% da arrecadação federal e deverá chegar este ano a R$ 36 bilhões.
Os recursos da CPMF seriam usados em programas de saúde, previdência social e assistência social. ''Se a CPMF acabasse, não cortaríamos estes recursos. Mas teríamos que alocar outros, de outras áreas, para a continuidade desses programas. Não temos como fazer isso hoje. Isso desiquilibraria nossas contas.'' Paulo Bernardo aposta numa composição social para aprovação da prorrogação da CPMF como uma discussão aprofundada de como reduzir gradativamente a carga tributária e extinguir, com o passar dos anos, a contribuição. ''O que não dá é para fazer isso de um ano para o outro.''
Paulo Bernardo criticou o movimento empresarial pelo fim da CPMF. Segundo o ministro, por trás das campanhas estariam os sonegadores preocupados com o recolhimento bancário da CPMF. ''Uma parcela dos sonegadores vê com ódio a CPMF, porque ela é um dedo-duro contra os sonegadores. Ela desconta o imposto de tudo que é movimentado em conta'', exemplificou. Paulo Bernardo reforçou que o Ministério do Planejamento está aberto para debates de longo prazo, como discussão de um programa gradativo de redução da carga tributária nacional.
O ministro negou que esteja tentando fazer uma barganha com o Congresso Nacional, como troca de apoio por emendas parlamentares. E fez duras críticas aos parlamentares do DEM e do PSDB -que são contra a prorrogação da CPMF. ''Eles inventaram a CPMF. Ela é filha deles. O pai é o PSDB e a mãe é o antigo PFL, hoje DEM. Não sei se quando eles aprovaram no passado e prorrogaram por três vezes a CPMF, se fizeram barganhas. Nós não estamos fazendo nada que possa envergonhar o Brasil''.
Sobre as eleições municipais de 2008, Paulo Bernardo disse que é cedo para começar a se discutir nomes e pensar em campanhas eleitorais. No entanto, ele confirmou o nome do deputado federal André Vargas como o principal pré-candidato petista para a disputa pela Prefeitura de Londrina e de Gleisi Holfmann (sua mulher) para a disputa em Curitiba. No entanto, ele lembrou que no caso de Curitiba, ainda existam divergências em torno da candidatura de Gleisi - que poderá ser submetida a prévia do partido com o deputado estadual Tadeu Veneri.

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