Crescimento de Dilma não assusta tucanos
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terça-feira, 30 de março de 2010
Das agências 
Brasília - Líderes do PSDB consideraram ontem ''natural'' e ''previsível'' o crescimento das intenções de voto na pré-candidata à presidência pelo PT e ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Segundo pesquisa Datafolha, a petista atingiu 28% das intenções de voto e reduziu de 14 para quatro pontos porcentuais a distância que a separava do seu principal rival, o governador José Serra (PSDB), que tem 32%.
Na avaliação de tucanos, o bom desempenho da ministra é fruto da superexposição de sua candidatura, que foi lançada oficialmente pelo PT, da aparição ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa do partido na TV e das viagens para inaugurar obras pelo País.
''Ela teve uma projeção muito grande, o momento favoreceu a ela'', afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA). ''Mas, a despeito de toda essa exposição, o Serra continua liderando as pesquisas de intenção de voto sem fazer nenhuma campanha'', completou.
Já o PT recebeu o resultado com entusiasmo. ''Quanto mais a população conhece a Dilma, mais sua aceitação cresce'', afirmou o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Mas ele evitou dar tom triunfalista ao avanço da petista. ''Toda pesquisa é o retrato de um momento e até a eleição há um longo caminho'', ponderou.
O presidente do partido, José Eduardo Dutra, afirmou que se surpreendeu com a pesquisa Datafolha. ''O crescimento foi maior do que o esperado'', diz. Os números, para ele, mostram que a candidatura de Dilma está consolidada e competitiva. ''Ao contrário do que alguns diziam meses atrás sobre a gente, agora é a oposição que começa a pensar em um plano B.''
Dutra afirmou ainda que a exposição da ministra por causa do lançamento de sua pré-candidatura na semana passada teve influência no resultado. No entanto, isso é irrelevante, na sua avaliação. ''O que importa não é o índice de crescimento, mas o crescimento sustentado da candidatura'', afirma.
O deputado José Genoino (PT-SP) comemorou na sua página de mensagens do Twitter: ''A oposição vai ficar ainda mais desesperada''. Também pela rede, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) festejou: ''É uma boa pesquisa pra ver que estamos no caminho certo. Mas é bom ter pé no chão, treino é treino, jogo é jogo, já dizia o velho treinador''.
Para os tucanos, as intenções de voto em Serra voltarão a subir assim que ele lançar sua candidatura à sucessão de Lula, no fim deste mês. ''Hoje só existe uma pessoa fazendo campanha ao lado do presidente Lula: a ministra Dilma. Portanto é natural que só ela cresça'', disse o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). ''O Serra nem saiu candidato ainda'', argumentou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM).
Os tucanos também citaram uma série de fatores adversos que atingiram seus aliados. É o caso das enchentes em São Paulo e da cassação do mandato - logo depois revogada - do prefeito Gilberto Kassab (DEM). ''Mas a Dilma tem menos combustível para queimar do que nós. O Brasil não está preparado para pegar uma pessoa que nunca foi nada e eleger'', afirmou Arthur Virgílio.


