Cresce pressão para Dirceu deixar o cargo
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Agência Estado 
Brasília - A pressão para a saída do chefe da Casa Civil, José Dirceu, aumentou muito depois do depoimento do presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, ontem, mesmo dentro do governo. Mal terminou o pronunciamento inicial de Jefferson, que chamou Dirceu de ''Rasputin'' do Planalto, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), telefonou para o chefe da Casa Civil. Foi direto. ''É verdade que você pôs o cargo à disposição?'', perguntou. Dirceu reagiu: ''Eu não estou demissionário. Estou indignado.''
Foi um dia de inferno astral para a administração federal. Além do depoimento do ex-aliado Jefferson e das dificuldades enfrentadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, durante todo o dia, circularam rumores sobre a demissão do chefe da Casa Civil. ''Ainda não foi desta vez'', disse Dirceu, pouco antes de conversar com Mercadante, nos corredores do quarto andar do Palácio do Planalto. Ele fez a afirmação depois de participar de uma reunião da Junta Orçamentária, na qual estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
Em conversa reservada, depois de ouvir parte do depoimento do presidente nacional do PTB - que ''aconselhou'' Dirceu a sair rápido do Poder Executivo para não fazer réu um ''homem inocente'' -, Lula foi taxativo. Disse que o Executivo não ficará refém de deputado nem aceitará que ele mande recados.
Na prática, o presidente não sabe se conseguirá manter o chefe da Casa Civil no governo, mas acha que permitir a saída agora seria o mesmo que assinar um atestado de culpa.


