Cresce movimento pelo afastamento de Jader
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de julho de 2001
Agência Folha De Brasília 
A divulgação do relatório de fiscalização do Banco Central, que acusou o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-BA), do desvio de fundos do Banpará fez crescer no Congresso o movimento favorável a que o senador se afaste da presidência da Casa durante as investigações. O texto, publicado pela revista Veja neste final de semana, aponta a extensão do envolvimento de Jader, familiares e empresas no mais grave caso de desvio de dinheiro público dos cofres do Banpará em toda a sua história.
Jader perde apoio até no seu partido, o PMDB. Se ele se licenciasse da presidência do Senado, poderia cuidar apenas da defesa. Seria uma boa saída, defendeu o senador Pedro Simon (RS), pré-candidato da sigla à Presidência da República.
Aliado de Jader, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) se diz constrangido com as acusações feitas contra o presidente do Senado. Gostaria muito que isso tivesse um fim, nem que seja contra Jader, afirmou. O presidente do Conselho de Ética do Senado, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) começa a dar sinais de que pode abandonar a defesa intransigente que fazia de Jader.
A avaliação é a mesma no Palácio do Planalto. Teme-se que a decomposição da imagem de Jader acabe colando no presidente Fernando Henrique Cardoso. O Planalto é fundamental para a definição do futuro de Jader. O Conselho de Ética tem 16 integrantes. Desses, cinco são do PMDB e ligados pessoalmente a Jader. PSDB, PFL e PPB têm oito e a oposição cinco. Ou seja, está nas mãos dos partidos aliados de FHC decidir a sorte de Jader Barbalho, caso ela venha a ser levada ao conselho.
O temor do Planalto é desagradar os aliados de Jader e engrossar o coro da oposição no Senado, a ponto de conseguir criar CPIs para apurar atos do governo. A CPI da corrupção conta com 26 assinaturas. Precisa de apenas mais uma para ser viabilizada.
Na oposição, o PT é a sigla mais obstinada para cassar Jader Barbalho. Mas há divergências. O senador Roberto Freire (PPS-PE), acha que as acusações não devem resultar em processo de cassação pois se referem a atos praticados antes de Jader ser eleito senador. Isso (o desvio de dinheiro do Banpará) não é falta de decoro parlamentar, é crime, afirmou Freire.
Já o senador Jefferson Péres (PDT-AM) acha que foram criadas condições para uma representação contra Jader por quebra do decoro parlamentar. Ele havia declarado que foi inocentado no caso do Banpará. Ao que parece, isso já configura uma inverdade, que o fragiliza ainda mais. Em férias no litoral do Pará, Jader não se abalou ao saber do movimento existente no Senado favorável a seu afastamento. Não há razão plausível para isso. Estamos tratando de fatos que teriam ocorrido 17 anos atrás. Imagino que deveríamos estar preocupados com fatos que ocorreram há 17 meses ou há 17 dias, disse Jader.
A linha de defesa de Jader é a de desacreditar o relatório do Banco Central. Como eu posso dar credibilidade a um documento que o próprio Banco Central não levou a sério. Se tivesse (levado a sério), o BC tinha que ter tomado alguma providência e não me excluído do processo, como fez.


