Curitiba O governador Jaime Lerner (PFL) e o governador eleito Roberto Requião (PMDB) trocaram algumas frases por telefone, na noite de anteontem. A conversa rápida foi uma tentativa de apaziguar os ânimos entre as equipes de transição, que suspenderam as atividades na terça-feira. O coordenador da equipe designada por Lerner, o secretário da Fazenda Ingo Hubert, acusa o vice-governador eleito Orlando Pessuti (PMDB), que responde pela equipe de Requião, de estar desacreditando através de jornais as informações repassadas pelo governo.
A conversa não ajudou a superar a crise entre os dois grupos. Aparentemente, nenhum dos lados está disposto a ceder e não havia previsão de nova reunião até ontem à noite. Em vez de abafar, Requião deu respaldo à atitude de Pessuti. ''Ele não tem obrigação de concordar com todos os dados que recebe'', afirmou. ''Agora, se o governo quiser tocar outra música, sabemos dançar'', emendou. Requião disse que se cada uma das equipes cumprir o que ele e Lerner combinaram, não haverá atrito. Ambos combinaram tocar um processo transitório civilizado, apesar das divergências.
''Em momento nenhum fizemos pacto de silêncio ou de concordar com tudo'', frisou Pessuti, que não conseguiu ontem fazer contato com Hubert para esclarecer o episódio e marcar uma próxima reunião. Ele espera marcar nova reunião para a semana que vem.
Internamente, peemedebistas acreditam que o desentendimento aconteceu porque o governo estaria tentando esconder dados mais delicados do PMDB. Requião não demonstrou preocupação com essa possibilidade. ''Quando assumirmos, vamos descobrir'', resumiu Requião.
O PMDB alega estar preocupado com a licitação para coleta de lixo durante a Operação Verão, no Litoral, que ainda não saiu. Há pressa na solução do problema. Outra pendência é uma minuta que está sendo feita pelo governo, uma espécie de termo de compromisso onde o futuro governo peemedebista assume a responsabilidade por consequências do cancelamento de licitações previstas pela Sanepar em obras de saneamento.
Pessuti não considera esse documento tão necessário. ''Se pedimos o cancelamento, é porque assumiremos a responsabilidade''. A equipe de transição do governo planeja se reunir hoje, às 9 horas, sem a participação do PMDB, para tratar de assuntos internos.

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