Curitiba - O diretório municipal do PT de Ponta Grossa, a 120 quilômetros de Curitiba, já sente os reflexos da falta de dinheiro. Pelo menos dois prestadores de serviço da campanha do ano passado, em que o ex-prefeito Péricles Holleben de Mello foi derrotado na intenção de se reeleger, entraram na Justiça para cobrar dívidas e há outros prontos para tomar a mesma medida. Tudo por conta de cheques sem fundo. Na Justiça Eleitoral, a prestação de contas foi feita como se as dívidas estivessem quitadas.
Proprietário da produtora Terra Verde, o empresário Silvio Santos já conseguiu o protesto de um cheque no valor de R$ 36 mil. Segundo ele, durante a campanha chegou a ter até 30 pessoas trabalhando na produtora. ''Honramos cada centavo e agora passo um aperto porque contava com o dinheiro do partido'', reclamou.
Ele disse ter procurado várias vezes a direção local do PT para encontrar uma solução e não houve resposta. ''Não somos companheiros, somos profissionais'', protestou. Revoltado está também o publicitário de Curitiba Sérgio Iacovone.
A ele e outras sete pessoas que com ele trabalharam o PT de Ponta Grossa deve R$ 167.577,45, divididos em oito cheques. O maior débito é dele, que tem em mãos um cheque de R$ 83.732,95 com dois carimbos de devolução por falta de fundos.
Segundo Iacovone, do valor foram descontados R$ 22.015,15, que seriam para pagar o Hotel Vila Velha. Mas isso não foi feito. ''Agora o hotel ameaça acionar judicialmente a nós, os hóspedes, porque não recebeu da coordenação da campanha'', reclamou. Ele disse ter enviado seis e-mails ao então candidato e às direções nacional, estadual e local do PT para solucionar o problema, sem obter resposta. Agora estuda entrar com ação de cobrança judicial.
Redator dos comerciais e programas de televisão, Evandro Barreto Caminha, da equipe de Iacovone, já encaminhou o processo judicial pedindo a penhora dos bens do partido. ''Demos o prazo máximo necessário ao partido, enviamos correspondências a Ponta Grossa, apresentamos os cheques e, por fim, comunicamos que entraríamos na Justiça, e não houve resposta'', disse. ''Talvez eles esperassem alguma mala que acabou não chegando.''
A presidente do PT de Ponta Grossa e vereadora, Ana Maria de Holleben, prima do ex-prefeito, disse que, em contato com a direção nacional do partido, ficou acertado que em abril seria realizada uma campanha para que os filiados aumentassem suas contribuições com vistas a ajudar os diretórios menores. ''Disseram que era para assumir compromissos a partir de abril'', afirmou. ''Ficamos no aguardo, mas não recebemos, e o local não tem como pagar.''
Ela acentuou que o PT vai cumprir todos os compromissos. ''Se tivéssemos intenção de não pagar não teríamos municiado a todos com documentos'', ponderou. Mas ela sabe que não pode ficar esperando pela direção nacional, pelo menos enquanto durarem as CPIs.

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