Credor terá de negociar diretamente com Suruagy
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Agência Estado 
RIO - O governo de Alagoas não honrou o pagamento de seus títulos, no valor de R$ 109.695.332,14, que venceram ontem. Por isso a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) enviou, no início da noite, um relatório aos detentores dos papéis do governo alagoano informando a posição de cada um, o valor financeiro e os códigos da operação.
Com isso, a Cetip espera fornecer munição para que os credores possam negociar diretamente a cobrança da dívida com o governador Divaldo Suruagy e com a prefeitura de Osasco, que também deixou de pagar débito de R$ 29.217,134,66. Os nomes dos credores não foram divulgados. A Cetip não confirmou se os donos dos papéis de Alagoas são os da relação fornecida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos.
O banco Pontual, por exemplo, que, pela relação da comissão, teria R$ 2,486 milhões em títulos do governo de Alagoas, negou ter papéis de Alagoas em sua carteira. Somos apenas custodiantes, disse a gerente de comunicação do Pontual, Cláudia Ribeiro. Os papéis que estão no banco pertencem aos clientes.
O ABC Roma, relacionado como o maior detentor dos micos de Alagoas, com R$ 28,404 milhões, também negou ter esses papéis em carteira. Segundo o ABC Roma, todo o volume pertence a clientes. O banco limita-se a atuar como custodiante.
Já o Interunion assume o prejuízo. O assessor de Artur Falk, presidente do grupo, Rubens Pontes, confirma que o Interunion mantém em carteira R$ 18,117 milhões de papéis do governo de Alagoas. O Interunion está em liquidação por que o banco de Alagoas não cumpriu a cláusula de resgate em novembro do ano passado, disse Pontes. Esses papéis faziam parte da carteira própria do banco e os acionistas terão que acertar as contas com o Banco Central no processo de liquidação.
O calote dado pelo governo de Alagoas soma R$ 104,316 milhões, quantia muito pequena em relação ao estoque de títulos estaduais, de R$ 50 bilhões. Apesar dos títulos não resgatados representarem um volume baixo (2%) em relação ao mercado de papéis estaduais, a decisão do governo federal de não socorrer o governo de Alagoas acendeu um sinal de alerta no mercado financeiro. É um precedente perigoso, amanhã outros Estados podem resolver não pagar e já se sabe que não haverá socorro, disse um executivo financeiro.
Com isso, as instituições que venham a ter posições de outros papéis estaduais e municipais terão dificuldades de financiamento a curto prazo. Quem tem esse tipo de papéis em carteira está com dificuldades para negociá-lo, há pouca liquidez, disse um banqueiro.


